A Lagoa da Esturranha, situada na freguesia de Freixieiro de Soutelo, na Serra d’Arga, tornou‑se nos últimos dois anos num exemplo local das oportunidades e dos riscos associados à popularidade digital. Antes um «paraíso secreto», a zona passou a ser muito procurada desde que ficou viral no TikTok em 2024, atraindo centenas de visitantes todos os verões e obrigando autoridades e coletividades a uma resposta coordenada.
Procuras crescentes, problemas concretos
Do centro de Viana do Castelo até à Lagoa da Esturranha são pouco mais de 15 quilómetros, seguindo pela A28 ou pela Estrada Nacional 302 e depois pela Estrada Nacional 305. A facilidade de acesso e a cor da água — descrita pelos visitantes como azul turquesa — aceleraram o afluxo de turistas, sobretudo nos períodos de calor.
Com o aumento de visitantes surgiram problemas práticos que já motivaram a intervenção da GNR e da Junta de Freguesia. Entre as situações registadas destacam‑se o abandono de resíduos e o estacionamento desordenado junto à via, condicionando o trânsito local e trazendo riscos para os moradores e para a própria integridade do espaço natural.
"lixo e estacionamento indevido"
Reação das autoridades e da comunidade
A Guarda Nacional Republicana tem efetuado deslocações ao local para controlar o fluxo rodoviário e sancionar comportamentos inadequados: segundo relatos locais, foram aplicadas multas a dezenas de viaturas. Paralelamente, a Junta de Freguesia promoveu ações de limpeza que reuniram vários voluntários, numa tentativa de recuperar a qualidade paisagística e ambiental da lagoa.
O envolvimento de voluntários e da freguesia evidencia uma resposta comunitária imediata, mas as ações pontuais levantam a questão da necessidade de medidas estruturais para gerir um sítio que agora combina uso recreativo intenso com fragilidade ambiental.
Desafios de ordenamento e conservação
A transformação de locais naturais em atrações de massas já foi estudada em várias regiões portuguesas: o caso da Lagoa da Esturranha sublinha a urgência de políticas locais que articulem proteção ambiental, segurança rodoviária e aproveitamento turístico sustentável. No plano prático, isso pode traduzir‑se em medidas de sinalética, áreas de estacionamento reguladas, recolha regular de resíduos e campanhas de sensibilização dirigidas tanto a residentes como a visitantes.
- Localização: Freixieiro de Soutelo, Serra d’Arga (Concelho de Viana do Castelo).
- Acesso: Cerca de 15 km do centro de Viana do Castelo, via A28 ou EN302/EN305.
- Problemas identificados: lixo, estacionamento indevido, congestionamento e necessidade de patrulhamento.
- Intervenientes: GNR, Junta de Freguesia, voluntários locais.
| Elemento | Descrição |
|---|---|
| Origem do afluxo | Viralização no TikTok em 2024 |
| Principais consequências | Multas pela GNR, ações de limpeza pela Junta e voluntários |
| Distância a Viana | ~15 km |
A dependência de soluções reativas — multas e limpezas eventuais — não resolve problemas de fundo, como a capacidade de acolhimento, a proteção da biodiversidade e a manutenção das infraestruturas viárias. Cabe às autoridades locais e ao município ponderar intervenções que equilibrem o interesse turístico com a salvaguarda do património natural.
Para além do impacto ambiental, há implicações económicas e sociais a considerar. A notoriedade digital pode trazer rendimento local através do aumento do turismo, mas também custos acrescidos com limpeza, fiscalização e eventuais danos ao ecossistema. A mobilização de voluntários mostra a união da comunidade em torno do território, mas a sustentabilidade dessa estratégia depende da implementação de medidas públicas permanentes.
Em Viana do Castelo, a discussão sobre a Lagoa da Esturranha insere‑se num debate maior sobre o planeamento do território na Serra d’Arga — uma área reconhecida pelo seu valor paisagístico e cultural. A capacidade do concelho em conciliar promoção turística e conservação ambiental será determinante para preservar estes lugares sem os esvaziar do seu valor natural e social.
Enquanto as soluções de longo prazo são estudadas, o apelo que tem vindo a ser feito por responsáveis locais mantém‑se simples: respeito pelo espaço, cumprimento das normas de estacionamento e colaboração nas iniciativas de limpeza. Só assim a lagoa pode continuar a ser um recurso para Viana do Castelo sem perder a sua autenticidade.