Na busca por respostas mais eficazes para doentes com dor crónica, a Unidade da Dor do Serviço Regional de Saúde da Região Autónoma da Madeira (SESARAM) realizou uma intervenção inédita no Hospital Dr. Nélio Mendonça: a colocação de um elétrodo percutâneo de alta densidade, usado em conjunto com um sistema avançado de estimulação da medula espinhal.
Inovação técnica disponível na ilha
Segundo a nota enviada à comunicação social, trata‑se do primeiro e único elétrodo percutâneo com 16 contactos capaz de abranger três níveis vertebrais, graças a um espaçamento reduzido entre contactos. Esta configuração permite aos clínicos uma personalização mais fina da terapia, ajustando parâmetros à distribuição e evolução da dor em cada doente.
A equipa multidisciplinar que acompanhou o procedimento foi liderada pelos médicos Duarte Correia e Teresa Ferreira, destacando a cooperação entre especialidades no processo de avaliação, intervenção e seguimento dos utentes.
O que muda para os doentes
Para quem convive com dor crónica, as possibilidades acrescidas de modulação oferecidas por este tipo de elétrodo podem traduzir‑se em melhor controlo sintomático, redução da necessidade de medicação ou em alternativas quando terapias anteriores se mostram insuficientes. A administração regional sublinha que a introdução desta tecnologia representa um «avanço importante nos cuidados de saúde prestados na Região», por permitir o acesso a terapias de ponta sem necessidade de deslocações inter‑ilhas ou para o continente.
«Esta é, portanto, mais uma solução terapêutica diferenciada que passa a estar disponível na Região»
Características do equipamento
| Característica | Descrição |
|---|---|
| Tipo | Elétrodo percutâneo de alta densidade |
| Contactos | 16 |
| Extensão | Abarca 3 níveis vertebrais com espaçamento reduzido |
| Indicação terapêutica | Estimulação da medula espinhal (SCS) para dor crónica |
Equipa e organização clínica
A realização deste procedimento contou com uma equipa multidisciplinar, integrando profissionais de dor, neurocirurgia, anestesiologia e enfermagem especializada. A articulação entre estas valências é, segundo o SESARAM, determinante para garantir a segurança do gesto e o seguimento ajustado às necessidades do utente.
Além do gesto técnico, a seleção criteriosa dos candidatos à terapia de estimulação medular e o acompanhamento pós‑procedimento são elementos centrais para o sucesso terapêutico. A Unidade da Dor tem vindo a oferecer protocolos de avaliação e reavaliação que acompanham a resposta à estimulação ao longo do tempo.
Impacto regional
Em termos regionais, a incorporação desta tecnologia significa uma amplitude de respostas terapêuticas maior para uma população que, pela natureza insular, beneficia quando cuidados especializados são disponibilizados localmente. O SESARAM refere que o novo equipamento amplia o acesso a terapias de última geração «nas ilhas portuguesas», evitando deslocações para o exterior e contribuindo para a equidade de cuidados.
- Maior personalização do tratamento da dor crónica;
- Redução potencial de deslocações para o continente;
- Integração de uma equipa multidisciplinar no processo terapêutico.
Próximos passos
O comunicado não detalha o número de doentes já tratados com o novo equipamento nem a calendarização de futuras intervenções. Contudo, a referência à disponibilidade desta solução terapêutica na Região aponta para a intenção de incorporar a técnica no leque de opções da Unidade da Dor, mediante critérios clínicos definidos e avaliação continuada dos resultados.
Num território marcado pela riqueza da natureza e pela exigência de soluções de saúde próximas da comunidade, a introdução deste elétrodo percutâneo de alta densidade representa uma aposta clara na inovação clínica com impacto direto na qualidade de vida de doentes com dor crónica na Madeira.