A Câmara Municipal de São Vicente vai realizar, na próxima quinta‑feira, 27 de agosto, às 16h00, no Salão Nobre dos Paços do Concelho, a conferência intitulada «Alberto Vieira: O Homem, a Ilha e a Memória». O encontro centra‑se na vida, na obra e no legado do historiador natural do concelho, figura de referência para o estudo da história da Madeira e do espaço atlântico.
Oradora e enquadramento
A palestra será proferida por Graça Alves, escritora e investigadora que actualmente assume as funções de directora executiva do Museu de Arte Sacra do Funchal. Entre 2010 e 2019, desenvolveu projectos no Centro de Estudos de História do Atlântico – Alberto Vieira, dedicados à Literatura, aos Estudos Insulares e às Histórias de Vida, trajectórias que a ligam de forma directa ao campo de investigação do homenageado.
A iniciativa da autarquia pretende, segundo nota de imprensa, valorizar uma personalidade que marcou a produção científica regional e aprofundou temas centrais para a compreensão da identidade madeirense, como a economia do açúcar e do vinho, a escravatura e as questões em torno da autonomia.
«A iniciativa pretende enaltecer uma das figuras de referência da investigação histórica madeirense, destacando o contributo de Alberto Vieira para o conhecimento, estudo e valorização da História da Região e das ilhas atlânticas»
Trajectória académica e contributos
Natural de São Vicente, Alberto Vieira licenciou‑se em História na Universidade de Lisboa e doutorou‑se em História dos Descobrimentos e Expansão Portuguesa pela Universidade dos Açores. Ao longo de décadas desenvolveu investigações que se traduziram em artigos, livros e comunicações em colóquios, consolidando‑se como referência para quem estuda a Madeira e a circulação atlântica.
O historiador explorou temáticas que ajudam a explicar tanto a economia insular como os processos sociais que moldaram a região, com especial atenção a actividades e instituições que sustentaram a vida da ilha desde a sua colonização.
Funções institucionais e reconhecimento
Para além da actividade investigadora, Alberto Vieira liderou estruturas de investigação, tendo exercido a direcção do Centro de Estudos de História do Atlântico, um espaço que incentivou a produção e a divulgação de estudos com rigor científico e interesse para a história regional.
O percurso académico e a contribuição para a historiografia foram ainda reconhecidos a nível nacional: em 9 de junho de 2004 foi agraciado com a Comenda da Ordem do Infante D. Henr.
Importância local e duradoura
Em São Vicente, a memória de investigadores locais possui particular relevância. Não só por serem filhos da terra, mas porque os seus trabalhos alimentam a compreensão colectiva sobre a formação social e económica da ilha. Conferências como a desta quinta‑feira servem para reencontrar esse património intelectual e para o partilhar com novas gerações.
- Quando: 27 de agosto, às 16h00
- Onde: Salão Nobre da Câmara Municipal de São Vicente
- Oradora: Graça Alves, directora executiva do Museu de Arte Sacra do Funchal
Perspectiva regional
Num arquipélago onde a insularidade moldou trajetórias colectivas, recuperar e debater a obra de historiadores regionais é também um exercício de afirmação identitária. O trabalho de Alberto Vieira, orientado para a história da Madeira e do Atlântico, fornece ferramentas de análise para temas que continuam actuais — desde a economia agrária tradicional até às implicações sociais de processos colectivos.
| Aspecto | Dados |
|---|---|
| Licenciatura | História, Universidade de Lisboa |
| Doutoramento | História dos Descobrimentos e Expansão Portuguesa, Universidade dos Açores |
| Função relevante | Direcção do Centro de Estudos de História do Atlântico |
| Distinção | Comenda da Ordem do Infante (agraciamento em 2004) |
Convite à participação
A Câmara Municipal de São Vicente convida a população a assistir à conferência, que pretende simultaneamente homenagear um filho da terra e estimular o debate sobre a história regional. Para moradores e visitantes interessados na memória e na identidade da ilha, trata‑se de uma oportunidade para conhecer melhor as raízes de temas que continuam a marcar o presente madeirense.
Na habitual relação entre memória, paisagem e clima que caracteriza a ilha, o encontro promete ligar o conhecimento académico à experiência local, reforçando a ligação entre passado e presente no território de São Vicente.