O futuro do Hospital de Santo Tirso voltou a reunir hoje representantes políticos e a administração da Unidade Local de Saúde (ULS) Médio Ave numa reunião que reacende um debate local sobre gestão, recursos e a qualidade dos serviços prestados ao concelho. O encontro contou com a presença do deputado do PCP Alfredo Maia, elementos da Comissão Concelhia de Santo Tirso e dirigentes regionais e nacionais do partido.
Oposição à entrega a privados e alerta sobre cortes
Na conferência de imprensa realizada em exclusivo para o Jornal do Ave após a reunião, Alfredo Maia reiterou a posição do PCP contra a eventual entrega da gestão do hospital à Santa Casa da Misericórdia, classificando essa hipótese como «um erro profundo». O deputado comunista vincou que a transferência para uma entidade privada ou de natureza social, nas condições apontadas, está em contradição com os interesses dos utentes e do Serviço Nacional de Saúde (SNS).
«Um erro profundo»
Outro ponto central das intervenções foi o alerta para uma previsão legal de redução de 25% das despesas. O PCP adverte que esse corte, se aplicado, poderá traduzir-se em redução da qualidade dos serviços ou em cortes efectivos na operacionalidade do hospital, com impacto directo na resposta aos utentes do concelho e da região.
Propostas e alternativas defendidas
Como alternativa à transferência de gestão, o PCP defende medidas centradas no reforço do papel público do SNS em Santo Tirso. Entre as propostas apresentadas estão o reforço dos meios humanos, a valorização das carreiras dos profissionais de saúde e a construção de um novo hospital em Santo Tirso com gestão pública.
- Reforço de recursos humanos no SNS
- Valorização das carreiras na saúde
- Construção de um novo hospital em gestão pública
O discurso do PCP enquadra estas reivindicações como «de longa data» por parte dos utentes do SNS no concelho, sublinhando que a entrega a uma entidade externa poderá comprometer a concretização dessas metas.
Consequências locais e panorama regional
O debate em torno da gestão do Hospital de Santo Tirso inscreve-se num quadro mais amplo de pressão sobre serviços públicos de saúde no Norte do país, num contexto em que as unidades locais tentam conciliar restrições orçamentais com crescentes necessidades assistenciais. A referência a uma redução de 25% nas despesas adiciona uma dimensão concreta às preocupações: cortes dessa ordem, mesmo que contabilísticos, criam riscos operacionais que se reflectem em horários, capacidade de internamento, listas de espera e cuidados ambulatórios.
| Risco apontado | Proposta do PCP |
|---|---|
| Redução de 25% das despesas | Reforço de meios humanos |
| Transferência da gestão para a Santa Casa da Misericórdia | Manutenção de gestão pública e construção de novo hospital |
Para os residentes de Santo Tirso, as decisões à volta da gestão hospitalar têm implicações directas: acessibilidade a cuidados hospitalares, continuidade de serviços e estabilidade dos profissionais que aqui trabalham. A hipótese de mudança de gestão levanta também interrogações sobre contratos, modelos de prestação e eventuais alterações na carteira de serviços.
Até ao momento da conferência de imprensa e da reunião, não foram divulgados pelos participantes elementos que indiquem um calendário formal de transição nem documentos oficiais que avaliem o impacto financeiro ou operativo da eventual transferência para a Santa Casa. O debate, porém, promete manter-se vivo com reflexos políticos e sociais locais.
Em Santo Tirso, o apelo do PCP à manutenção de um hospital público e ao investimento directo nas capacidades do SNS situa-se no centro de um diálogo público que envolverá decisores locais, profissionais de saúde e utentes nos próximos meses.