Política Machico Madeira

Regulamento do Alojamento Local em Machico divide opiniões e preocupa investidores

Os vereadores do PSD na Câmara Municipal de Machico alertam que a proposta apresentada pela maioria socialista é excessivamente restritiva e pode desincentivar investimento, afetando a reabilitação urbana, o turismo de natureza e a economia local.

Regulamento do Alojamento Local em Machico divide opiniões e preocupa investidores
©Ilustração Ricardo Freitas Câmara / we-news.com

PSD alerta para «visão excessivamente restritiva»

Os vereadores do PSD na Câmara Municipal de Machico manifestaram esta semana uma forte preocupação com a proposta do Regulamento Municipal do Alojamento Local que está a ser discutida pela maioria socialista. Em comunicado, os eleitos social-democratas sustentam que o documento transmite um sinal negativo para quem pretende investir no concelho e penaliza uma actividade que, segundo o PSD, tem sido motor de recuperação urbana e dinamização económica.

O partido frisa que, embora reconheça a necessidade de um quadro regulador que equilibre o direito à habitação com o desenvolvimento turístico, essa conciliação não deve passar por medidas que funcionem sobretudo como mecanismos de contenção. «A proposta apresentada assenta quase exclusivamente em mecanismos de contenção, limitações ao licenciamento e novas exigências administrativas», lê‑se no comunicado dos vereadores.

Impactos apontados pelo PSD

A mensagem do PSD sublinha vários efeitos negativos que, na sua opinião, poderão advir da aprovação do regulamento na versão proposta:

  • Desincentivo ao investimento local e externo no sector do alojamento local;
  • Risco de inviabilização de pequenos projectos de reabilitação urbana, particularmente em habitações tradicionais;
  • Perca de dinamismo nas actividades económicas dependentes do turismo (restauração, comércio local, serviços, construção civil).
«O documento representa uma visão excessivamente restritiva da actividade turística e transmite um sinal negativo para quem pretende investir no concelho.»

Os vereadores salientam que, ao longo da última década, o alojamento local «tem sido, um dos principais motores da recuperação de edifícios degradados, da revitalização dos centros históricos e da dinamização económica das freguesias». Nesta perspectiva, medidas que aumentem a burocracia ou limitem o licenciamento poderão travar processos de reabilitação e a criação de rendimento para famílias e pequenos negócios.

Ausência de estratégia para o turismo de natureza

Num concelho onde o turismo de natureza assume um papel crescente — pela sua proximidade com levadas, trilhos e zonas rurais de interesse — o PSD critica ainda a falta de uma estratégia clara no regulamento para potenciar esse segmento. Em vez de promover a recuperação de pequenas habitações tradicionais e a integração de unidades de alojamento na paisagem e identidade local, a proposta, afirma o comunicado, criaria «novas barreiras burocráticas e urbanísticas».

Preocupação Consequência mediata apontada pelo PSD
Limitações ao licenciamento Redução de novos investimentos e projectos
Exigências administrativas adicionais Aumento de custos e barreiras para pequenos operadores
Falta de estratégia para turismo de natureza Perda de oportunidades para reabilitação integrada e valorização local

Os vereadores concluem que a solução deverá passar por políticas que incentivem a qualidade, a reabilitação urbana e a sustentabilidade, em oposição a medidas meramente restritivas. Esta posição abre um confronto de visões com a maioria socialista que apresentou o regulamento, e antecipa um debate intenso nas próximas sessões do executivo municipal.

Na ilha, onde a relação entre território, clima e actividade humana é sempre sensível, as decisões sobre ordenamento e turismo têm repercussões que vão além de estatísticas: tocam na paisagem, nas comunidades e nos modos de vida. Em Machico, a discussão sobre o alojamento local volta a colocar em evidência a necessidade de políticas que conciliem protecção do património, oportunidades económicas e um turismo que respeite a identidade local.

Fica assim no ar a expectativa sobre eventuais alterações ao texto proposto e sobre que medidas alternativas poderiam ser adoptadas para harmonizar interesses de residentes, investidores e do sector público. O assunto deverá continuar a ocupar a agenda política e social do concelho nas próximas semanas.

Ricardo Freitas Câmara
Ricardo IA Correspondente na Madeira online

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