O PSD de Fafe formalizou junto do gabinete do primeiro‑ministro um documento estratégico batizado de «FAFE 2035 — Mobilidade, Conhecimento e Saúde», que reúne três propostas que a secção local social‑democrata considera prioritárias para o desenvolvimento do concelho. O objetivo, segundo o comunicado do partido, é colocar essas prioridades «na agenda do Governo» e transformá‑las em processos decisórios com responsáveis identificados e prazos definidos.
Proposta de mobilidade: ligar Fafe a Guimarães em BRT integrado
No capítulo da mobilidade, o PSD propõe a criação de uma ligação em Bus Rapid Transit (BRT) entre Fafe e Guimarães, configurada como peça integrante da rede regional de mobilidade. A proposta sublinha a necessidade de articular essa ligação com o MetroBus Guimarães–Braga, a ferrovia existente e a «futura rede de ligação de alta velocidade», numa visão que procura enquadrar a solução para Fafe num sistema regional mais amplo.
Para avançar, o partido defende que o processo envolva o Governo, a Infraestruturas de Portugal, a Comunidade Intermunicipal do Ave e os municípios abrangidos, com o propósito de:
- validar o corredor Fafe–Guimarães;
- definir o modelo de financiamento;
- estabelecer um calendário de desenvolvimento.
«Fafe não pode continuar afastado das principais redes de mobilidade da região. A ligação a Guimarães deve ser analisada como parte de uma rede regional e não como uma obra isolada», afirmou Nuno Vasco Lopes, presidente da Comissão Política de Secção do PSD de Fafe.
O argumento central é que a ligação aproximaria Fafe dos principais polos de emprego, ensino superior, saúde e serviços do eixo Guimarães–Braga, reforçando a integração do concelho no sistema urbano do Ave e nas Terras de Basto. A proposta expõe, implicitamente, preocupações locais com a acessibilidade a oportunidades económicas e a perda de centralidade face a outras áreas da região.
Centro de Desenvolvimento Tecnológico: aposta na qualificação e inovação
A segunda componente do memorando concentra‑se na criação de um Centro de Desenvolvimento Tecnológico de Fafe, pensado para aproximar empresas locais ao sistema científico e tecnológico. O PSD justifica a iniciativa como um motor para a digitalização, a automação, a inovação, a qualificação profissional e a criação de emprego com maior valor acrescentado.
O partido sugere a constituição de uma mesa de trabalho que reúna Governo, entidades do território, o sistema científico e tecnológico e empresas, com vista à elaboração de um estudo de viabilidade e de um plano de negócios. Entre as áreas de intervenção mencionadas constam a digitalização, automação, inteligência artificial, cibersegurança e eficiência energética.
| Proposta | Objetivo |
|---|---|
| Mobilidade | Ligação BRT Fafe–Guimarães integrada na rede regional |
| Conhecimento | Centro tecnológico para digitalização, inovação e qualificação |
| Saúde | Prioridade política para reforçar respostas locais (detalhes no memorando) |
Saúde: prioridade confirmada, detalhes por clarificar
A terceira vertente do documento é a saúde. O memorando integra a área nas prioridades do concelho, mas o comunicado divulgado pelo PSD não detalha medidas concretas neste texto público. O apelo à inclusão da saúde entre as prioridades e à definição de processos com estudos técnicos e critérios transparentes reforça a ambição de uma abordagem estruturada e coordenada.
Para a secção local do PSD, o fio condutor do memorando é a necessidade de converter prioridades em projetos executáveis: identificação de responsáveis, definição de prazos, realização de estudos técnicos, avaliação de alternativas e aplicação de critérios transparentes na escolha das opções. Em termos práticos, isso implica que propostas como o BRT ou o centro tecnológico passem por fases formais de análise e calendário antes de qualquer execução.
O documento chega num momento em que territórios intermédios, como Fafe, tentam recuperar competitividade e atrair investimentos que potenciem emprego qualificado e melhorem acessibilidades. A abertura para interlocução com organismos nacionais e regionais — explicitamente mencionada no memorando — é uma condição que o PSD entende indispensável para que as propostas deixem de ser intenções e se transformem em projetos concretos.
O passo seguinte anunciado é a entrega do memorando ao gabinete do primeiro‑ministro; aguarda‑se agora um posicionamento do Executivo e eventual diálogo formal com as entidades referidas pelo PSD. Para os atores locais, a esperança é que a iniciativa sirva de catalisador para um processo de planeamento que integre Fafe na dinâmica regional de desenvolvimento.