Funchal — A dirigente regional do Partido Socialista na Madeira acusou esta segunda-feira o Governo Regional de demonstrar «insensibilidade gritante» face à escalada do custo de vida no arquipélago, com especial incidência nos preços da habitação, dos combustíveis e dos bens alimentares. A intervenção teve lugar no final da reunião da Comissão Política do PS/Madeira, na sede do partido, no Funchal.
Crítica à ausência de iniciativas governamentais
À entrada da nova sessão parlamentar, marcada para terça-feira, a líder socialista destacou que a agenda de trabalhos se encontra preenchida por propostas do próprio PS, sublinhando a inexistência de diplomas apresentados pelos partidos que sustentam o executivo — PSD e CDS‑PP — ou pelo próprio Governo Regional.
«A insensibilidade do Governo [Regional] nesta matéria é gritante e vê‑se logo pela falta de propostas, pela falta de iniciativas», afirmou a dirigente socialista.
Para o PS, a passividade do executivo traduz‑se numa resposta insuficiente às dificuldades que muitas famílias enfrentam perante o aumento das despesas correntes. A líder partidária realçou que os custos têm subido de forma expressiva e que há agregados familiares que já não conseguem suportar as pressões financeiras.
Áreas mais afetadas e alternativas propostas
No centro das críticas estão três vectores: habitação, combustíveis e bens alimentares. A dirigente socialista reprova ainda o que classifica como utilização inadequada de recursos públicos, nomeadamente o investimento em projectos que, na sua opinião, não prestam serviço público — exemplo apontado foram campos de golfe — em detrimento de medidas que aliviem o custo de vida.
- Habitação: preocupação com a subida de preços e falta de políticas de apoio estruturadas;
- Combustíveis: pedido de redução do Imposto sobre os Produtos Petrolíferos (ISP), considerado mais elevado na Madeira comparativamente ao continente e aos Açores;
- Bens alimentares: necessidade de medidas para conter a escalada de preços essenciais.
Entre as propostas defendidas pelo PS/Madeira está a transferência para as autarquias de parte das receitas do IVA cobradas no âmbito da restauração, alojamento e serviços nos respetivos concelhos. A intenção é que esses recursos sejam aplicados em programas municipais de recuperação de imóveis degradados, com impacto direto na disponibilidade habitacional e na revitalização urbana.
Contexto parlamentar e expectativas
A sessão parlamentar que se inicia terça‑feira assume, segundo o PS, uma particularidade: de entre os pontos agendados, doze correspondem a iniciativas do próprio Partido Socialista. Este facto é utilizado como argumento para sublinhar a ausência de iniciativas por parte do executivo e dos partidos que o suportam.
| Problema | Reivindicação do PS |
|---|---|
| Habitação | Medidas estruturais e programas de apoio à reabilitação |
| Combustíveis | Redução do ISP na Madeira |
| Bens alimentares | Ações para conter a subida de preços |
O debate surge num momento em que os custos de vida são tema recorrente nas conversas quotidianas e nas reportagens locais. A insatisfação social traduz‑se em pedidos de soluções que tenham efeitos imediatos no poder de compra das famílias.
Reacção esperada do Governo Regional
Até ao fecho desta reportagem, o Governo Regional não tinha divulgado respostas às críticas veiculadas pelo PS. A dirigente socialista espera que a ausência de medidas governamentais seja debatida na Assembleia Regional e que o executivo apresente propostas concretas para mitigar o impacto da subida dos preços.
Na ilha, onde a vida quotidiana está marcada por custos adicionais ligados à insularidade, a questão do ISP e a alocação de receitas fiscais para iniciativas locais continuam a ser pontos sensíveis na agenda política. A discussão que agora se instala terá implicações directas para autarquias, famílias e agentes económicos regionais.
O início da actividade parlamentar promete, assim, uma série de confrontos sobre prioridades orçamentais e políticas públicas — com o PS a colocar no centro o tema do custo de vida e a exigir respostas que, dizem os socialistas, o Governo tarda em apresentar.