Entrou em consulta pública, a 5 de agosto, o projeto da nova linha de Metro do Porto que ligará o Estádio do Dragão ao Souto, em Gondomar. Promovido pela Agência Portuguesa do Ambiente (APA), o processo decorre até 15 de setembro de 2026 e abre a porta a contributos da população no âmbito da avaliação de impacte ambiental.
Traçado, estações e alternativas em avaliação
Com cerca de 6,9 quilómetros, a futura ligação contempla troços à superfície, em túnel e em viaduto e prevê a construção de três túneis e de um viaduto sobre o rio Torto. O percurso inclui nove estações, das quais seis se situam no concelho de Gondomar.
| Estação | Presença em Gondomar |
|---|---|
| São Roque | Não |
| Cerco | Não |
| Parque Oriental | Não |
| Lagoa | Sim |
| Valbom | Sim |
| Hospital Fernando Pessoa | Sim |
| Cosme Ferreira Castro | Sim |
| Oliveira Martins | Sim |
| Souto | Sim |
Entre as alternativas ainda em análise está a solução para o troço entre as estações Parque Oriental e Lagoa: uma opção totalmente subterrânea e outra à superfície. A escolha terá impacto directo nos custos, nos prazos de obra e nas alterações ao espaço urbano.
Transformação esperada no Souto e na intermodalidade
Na zona do Souto prevê-se a construção da estação junto ao actual terminal rodoviário. O projeto incorpora a criação de uma praça multifuncional destinada a integrar diferentes modos de transporte, bem como espaços de lazer e descanso. Estão ainda previstas infraestruturas de apoio, nomeadamente um edifício para os motoristas de autocarro, uma sala de recreação para uso comunitário e uma loja Andante.
- Melhoria do acesso ao transporte público entre Gondomar e Porto;
- Reforço da intermodalidade no Souto com integração de autocarros e Metro;
- Possível qualificação do espaço urbano e criação de áreas de convívio.
«A linha Dragão–Souto é considerada uma das principais expansões previstas para a rede do Metro do Porto», afirma o resumo do projecto.
Para os residentes e utilizadores regulares do transporte público, a linha representa uma alternativa mais sustentável ao transporte individual e um potencial alívio do trânsito nas ligações ao Porto. A presença de uma estação junto ao Hospital Fernando Pessoa pode igualmente facilitar o acesso a cuidados de saúde para utentes vindos do Grande Porto.
Impactos económicos e desafio de integração urbana
A concretização desta expansão terá implicações económicas e urbanísticas para Gondomar. Para além dos investimentos em obra pública, a operação pode valorizar áreas próximas das estações e catalisar novos fluxos de mobilidade e comércio. Ao mesmo tempo, a execução de túneis e viadutos implica impactos temporários significativos durante a fase de construção, que terão de ser avaliados na documentação de impacte ambiental em consulta.
O período de participação pública é a oportunidade para associações, comerciantes, moradores e partidos locais apresentarem observações sobre ruído, ocupação do solo, acessos pedonais e estacionamento, bem como sobre a solução escolhida para o troço entre Parque Oriental e Lagoa.
A tramitação do processo pela APA e a abertura de 41 dias úteis para contribuições colocam Gondomar no centro de um debate que conjuga mobilidade, planeamento urbano e sustentabilidade. O desfecho irá moldar, nos próximos anos, a ligação física e funcional entre o concelho e a cidade do Porto.