Os portos da Região Autónoma da Madeira registaram no primeiro semestre de 2026 um aumento do movimento de mercadorias e uma forte retoma no tráfego de navios e passageiros de cruzeiro, segundo os dados hoje divulgados pela Direção Regional de Estatística da Madeira (DREM).
Variação global e principais números
Entre janeiro e junho entraram nos portos da Região 199 navios de cruzeiro, mais 28 face ao período homólogo de 2025. O número de passageiros em trânsito atingiu 443.355, o que corresponde a um crescimento homólogo de 18,5%. O Porto do Funchal concentrou a esmagadora maioria deste movimento, com 440.608 passageiros em trânsito.
Relativamente ao movimento de mercadorias, verificou-se uma subida de 4,9% no primeiro semestre, resultado conjugado do aumento tanto das mercadorias descarregadas (+5,3%) como das carregadas (+1,5%).
Perfis e mercados dos passageiros
Do total de passageiros em trânsito pelo Porto do Funchal, 89,9% tinham nacionalidade europeia. Entre os países europeus, os alemães representaram 42,1% do total, com um crescimento de 16,5% face ao primeiro semestre de 2025. Os britânicos constituíram 28,7%, registando uma ligeira redução de 2%.
Outros mercados europeus evidenciaram crescimentos expressivos, com destaque para:
- Itália: +174,6%
- Espanha: +107,6%
- Polónia: +106,5%
- Áustria: +52,3%
O mercado americano também cresceu, representando 9,1% dos passageiros em trânsito no Porto do Funchal e aumentando 19,7% em termos homólogos. Dentro deste mercado, os norte‑americanos cresceram 43,8% (representando 6,7% do total) e os canadianos 24,9%. Em contrapartida, os passageiros brasileiros diminuíram 36,6%.
Impactos regionais e logísticos
O reforço do tráfego de cruzeiros e o acréscimo no movimento de mercadorias são sinais de dinamismo económico para a região, com efeitos diretos em setores como o turismo, o comércio local e os serviços portuários. O Porto do Funchal continua a ser o principal nó de atração e redistribuição de passageiros, o que exige articulação entre operadores turísticos, autoridades portuárias e serviços públicos locais para gerir fluxos e garantir qualidade de serviço.
Também a ligação marítima entre a Madeira e o Porto Santo apresentou crescimento: foram transportados cerca de 153,4 mil passageiros nos primeiros seis meses do ano, um aumento de 4,8% face ao período homólogo. Contudo, no segundo trimestre verificou‑se uma redução de 3,2% nesse mesmo número de passageiros quando comparado com o segundo trimestre de 2025.
Contrastes: marinas em retração
Embora os portos comerciais e decruzeiros mostrem uma tendência positiva, as marinas da Região sofreram uma trajectória oposta, com uma diminuição do movimento. Este contraste evidencia perfis distintos dentro do sector marítimo regional e coloca desafios específicos para políticas de apoio e promoção da náutica de recreio.
Dados em síntese
| Indicador | 1.º semestre 2026 | Variação homóloga |
|---|---|---|
| Navios de cruzeiro | 199 | +28 unidades |
| Passageiros em trânsito (Portos RAM) | 443.355 | +18,5% |
| Passageiros no Porto do Funchal | 440.608 | - |
| Movimento de mercadorias | — | +4,9% |
| Ligação Madeira–Porto Santo (passageiros) | 153.4 mil | +4,8% |
Os números agora divulgados pela DREM permitem uma leitura de recuperação e crescimento para segmentos estratégicos da economia insular, em particular o turismo de cruzeiros e a logística de mercadorias. Perante estas tendências, surgem questões de planeamento sobre capacidade portuária, melhoria de serviços e sustentabilidade do crescimento, num arquipélago onde o mar é simultaneamente via de conexão e recurso económico.
Na paisagem do Funchal — porto e cidade — estes resultados traduzem‑se em movimento nas zonas comerciais, ocupação em excursões e maior procura por experiências locais, refletindo a importância dos portos como portas de entrada e motores de economia numa ilha moldada pelo Atlântico.
Ricardo Freitas Câmara, correspondente na Madeira