O regresso de Nehuén Pérez à equipa titular do FC Porto, quase um ano depois, ficou marcado por um golo aos 11 minutos e por uma exibição defensiva segura, numa partida em que a baliza de Diogo Costa voltou a ser determinante para a manutenção da vantagem azul e branca. O encontro frente ao Rio Ave deixou sinais de evolução no equilíbrio defensivo da equipa e dúvidas sobre a gestão de alguns recursos físicos.
Nehuén: um regresso com impacto
Nehuén Pérez saltou para o onze inicial e afirmou-se desde cedo. Aos 11 minutos aproveitou liberdade no segundo poste — uma chegada pouco habitual para o central — e ganhou o duelo aéreo com autoridade para abrir o marcador com um cabeceamento. Saiu aos 69', numa substituição que foi entendida como gestão física, após uma exibição competente, sobretudo tendo em conta que enfrentou avançados fortes e poderosos no seu corredor.
Diogo Costa decide onde a baliza podia ter sido igualada
Se o golo de Nehuén deu vantagem, a diferença entre um guarda-redes de topo e outro de qualidade apareceu na intervenção de Diogo Costa no desconto da primeira parte. Numa «voo extraordinário» junto ao poste, o número 99 desviou um cabeceamento colocado de Tamble Monteiro que teria dado o empate ao Rio Ave — a acção ocorreu aos 45+1'.
«É esta a diferença entre um excecional guarda-redes e ‘apenas’ um bom guarda-redes.»
Apesar de uma saída com alguma imprecisão aos 20 minutos que originou um canto para a equipa visitante — possivelmente condicionada pela luz —, Costa segurou a liderança quando o jogo ainda estava em aberto. Na segunda parte beneficiou também de uma maior solidez defensiva colectiva e teve menos trabalho.
Coesão defensiva e contributos da equipa
Ao longo do jogo houve sinais de disciplina defensiva que ajudaram a reduzir as ocasiões claras do adversário. Bednarek ofereceu uma exibição discreta, no bom sentido: ganhou vários duelos aéreos e controlou a área face ao jogo directo do Rio Ave. Kiwior destacou-se pela importante participação na construção e na primeira fase de pressão, com um passe vertical a identificar Pepê atrás da defesa aos 51' e um golo de pé esquerdo que mais tarde seria anulado pelo VAR devido a fora de jogo de Deniz Gul.
Zaidu trabalhou muito no corredor esquerdo, com atenção sobretudo a fechar o lado defensivo, tendo menos influência ofensiva do que poderia desejar. Pepê procurou constantemente aparecer entre linhas, combinar e acelerar o jogo, tendo sido componente ativa nas ações ofensivas — nomeadamente aquela ocasião aos 51' em que recebeu nas costas da defesa após um passe de Kiwior, com o remate a ser bloqueado.
- Nehuén Pérez: regressou e marcou, saiu aos 69'.
- Diogo Costa: defesa chave aos 45+1' negou o empate do Rio Ave.
- Kiwior: contribuiu na construção, golo anulado por VAR.
Leitura táctico‑competitiva e futuro imediato
O teste frente ao Rio Ave deixou percepções importantes para a temporada: por um lado, a alternativa defensiva ganhou relevância com o regresso de Nehuén; por outro, permanece a necessidade de gerir cargas físicas, evidenciada pela sua substituição antes do minuto 70. A solidez defensiva colectiva, com centrais seguros e laterais cumpridores, suportou a equipa sobretudo na segunda parte, reduzindo a actividade do adversário.
Do ponto de vista ofensivo, o FC Porto criou ocasiões e mostrou capacidade de progressão pelo corredor direito e por combinações entre linhas, mas foi penalizado pelo recurso ao VAR em pelo menos uma situação decisiva (golo de Kiwior anulado por fora de jogo de Gul). A capacidade de manter a concentração nas transições defensivas e a eficácia nos momentos de finalização serão determinantes nos próximos compromissos.
| Jogador | Classificação (fonte: notas) |
|---|---|
| Nehuén Pérez | 7 |
| Diogo Costa | 7 |
| Bednarek | 6 |
| Kiwior | 6 |
| Zaidu | 5 |
| Pepê | 6 |
O encontro serviu também para confirmar a importância de um guarda‑redes capaz de intervir em momentos cruciais e de centrais que, apagando riscos, permitem à equipa conservar o ritmo ofensivo. Para os adeptos portuenses fica a confiança no regresso de Nehuén e a certeza de que, quando Diogo Costa está inspirado, a equipa ganha margem de segurança decisiva.
Reportagem desde o Porto, para WE NEWS.