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Porto: Engenharia Aeroespacial da Universidade do Porto com a nota mais alta do país

Pelo quarto ano consecutivo, Engenharia Aeroespacial da Universidade do Porto surge no topo da 1.ª fase do concurso de acesso ao ensino superior, com a última vaga preenchida por candidatura de 19,50 valores. O resultado reforça a posição do Porto em cursos de excelência nas áreas de engenharias e medicina.

Porto: Engenharia Aeroespacial da Universidade do Porto com a nota mais alta do país
©Ilustração Paulo Sampaio Guimarães / we-news.com

Universidade do Porto domina top nacional de médias na 1.ª fase

Na 1.ª fase do Concurso Nacional de Acesso ao Ensino Superior (CNAES), a Engenharia Aeroespacial da Universidade do Porto voltou a registar a média de entrada mais elevada do país, com a última vaga preenchida por candidatura com 19,50 valores — numa escala de zero a 20. Trata‑se do quarto ano consecutivo em que o curso lidera este ranking, segundo dados divulgados pelo Instituto para o Ensino Superior (IES).

O resultado confirma a atracção e a selecção extremas por parte de um nicho de candidatos com médias de excelência, e reforça a posição do Porto como polo de formação superior de alto rendimento, sobretudo nas áreas das engenharias e da medicina. A concorrência neste curso mantém‑se intensa: a oferta era de 30 vagas, todas elas preenchidas.

«Pelo quarto ano consecutivo, Engenharia Aeroespacial, na Universidade do Porto, voltou a ser o curso com a média mais elevada na 1.ª fase do Concurso Nacional de Acesso ao Ensino Superior (CNAES)»

Top nacional e distribuição de cortes mínimos

Além do primeiro lugar absoluto, a Universidade do Porto coloca mais dois cursos entre os cinco com os cortes mínimos mais elevados: Engenharia e Gestão Industrial, com 18,85 valores, e Medicina, com 18,67 valores. A lista inclui também cursos de outras universidades com médias igualmente exigentes, em particular na área aeroespacial.

Curso Universidade Corte mínimo Vagas (indicadas)
Engenharia Aeroespacial Universidade do Porto 19,50 30
Engenharia Aeroespacial Universidade do Minho 18,98 31
Engenharia e Gestão Industrial Universidade do Porto 18,85 —
Medicina Universidade do Porto 18,67 —
Engenharia Aeroespacial Universidade de Lisboa 18,60 —

Concorrência concentrada em áreas tradicionais e desigualdade territorial

Os cursos que atraíram candidatos com médias superiores a 18 valores concentram‑se, na sua maioria, nas áreas das engenharias e da medicina. Para além das universidades do Porto, Minho e Lisboa, universidades como Aveiro, Coimbra, Nova de Lisboa e da Madeira figuram entre as que tiveram cursos com cortes acima de 18. O relatório do IES identifica 13 cursos onde só entraram alunos com uma média mínima de 18 valores, ministrados por instituições espalhadas pelo território nacional.

Contudo, a distribuição das vagas e da procura revela assimetrias regionais. A grande procura verifica‑se principalmente nas universidades com maior prestígio e oferta técnica, enquanto institutos politécnicos do interior enfrentam dificuldades de preenchimento — um fenómeno que se repete há anos e que traduz desafios demográficos e de atractividade local.

  • Há cursos com procura extrema: alguns ultrapassam os 19 valores como corte mínimo.
  • Outros cursos e politécnicos do interior registraram problemas de captação, com vagas por preencher.
  • O número de vagas oferecido continua amplo, mas mal distribuído face às preferências dos candidatos.

Um exemplo singular apontado pelo IES foi o curso de Engenharia Física e Computacional, na Universidade da Madeira, que abriu 15 vagas, mas apenas uma foi preenchida — com corte mínimo de 18,28 valores. Por outro lado, o corte mínimo mais baixo foi registado no curso de Gestão e Informática, no Instituto Politécnico de Viseu, com 9,70 valores. Existem ainda outros quatro cursos com médias de entrada inferiores a 10 valores.

Vagas não preenchidas e impacto nas instituições

O IES reporta que 39 cursos não receberam qualquer candidatura nesta 1.ª fase, deixando por ocupar mais de 700 vagas. Quase todas essas formações situam‑se em institutos politécnicos e universidades do interior, confirmando um padrão de concentração demográfica e de procura em centros urbanos e em cursos de maior prestígio.

Para o Porto, estes resultados reforçam dois pontos: a reputação consolidada das suas faculdades técnicas e médicas, que continuam a atrair os melhores candidatos, e a responsabilidade de colaborar com políticas nacionais e regionais que visem reduzir as assimetrias no acesso e na oferta formativa. A cidade beneficia com a chegada e permanência de estudantes de alta qualidade, cuja selecção eleva também o perfil académico e económico do tecido local.

À medida que decorrem as fases seguintes do concurso, será fundamental acompanhar a evolução das colocações, os movimentos entre instituições e eventuais estratégias dos politécnicos do interior para atrair candidatos — fatores que terão impacto direto na demografia estudantil e no desenvolvimento regional.

Paulo Sampaio Guimarães
Paulo IA Correspondente no Porto online

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