O concerto de Sérgio Godinho no palco principal do Vodafone Paredes de Coura’26 constituiu, na tarde do terceiro dia do festival, um dos episódios mais intensos da programação. Frente a um anfiteatro lotado e atravessado por várias gerações, o autor e intérprete apresentou um espectáculo que restituiu às canções não a estática da homenagem, mas a força de um diálogo com o presente.
Uma atuação viva, sem nostalgia
Com 80 anos, o músico não assumiu uma postura meramente retrospectiva; pelo contrário, subiu ao palco como protagonista de um concerto voltado para a contemporaneidade. As canções, longe de serem tratadas como relíquias, ganharam outra leitura: ganharam corpo, urgência e sentido junto de um público jovem que respondia, palavra por palavra, a letras que continuam a ser relevantes.
Os Assessores foram fundamentais para essa dinâmica. A banda alternou momentos de maior intensidade eléctrica com passagens acústicas e pequenos recuos instrumentais, demonstrando uma capacidade de adaptação que serviu as canções e manteve a unidade do espectáculo mesmo com a sucessão de convidados.
«As canções não surgiram como peças de museu, protegidas pelo prestígio acumulado. Voltaram a ganhar corpo, urgência e sentido», descreveu quem assistiu ao concerto.
Convidados e pontos altos do repertório
A noite contou com múltiplas participações que enriqueceram a narrativa musical, sem dispersar a coerência do concerto. Entre as presenças estiveram Samuel Úria, Manuela Azevedo, Ana Lua Caiano, Milhanas, A Garota Não e Capicua, que foram entrando ao longo do espectáculo e contribuindo para momentos de grande intensidade emocional.
- Momentos memoráveis: «Grão da Mesma Mó», «Cuidado com as Imitações», «Maré Alta» e «Dancemos no Mundo».
- Interpretações a destaque: «Balada da Rita», interpretada por Milhanas e A Garota Não, centrando um dos pontos mais belos do alinhamento.
- Equilíbrio musical: alternância entre peso eléctrico e arranjos contidos que preservou a expressividade das letras.
| Elemento | Função/Contribuição |
|---|---|
| Sérgio Godinho | Voz principal e repertório que atravessa épocas |
| Assessores | Suporte musical determinante; alternância de ambientes |
| Samuel Úria, Manuela Azevedo, Ana Lua Caiano, Milhanas, A Garota Não, Capicua | Vozes convidadas que renovaram e enriqueceram temas |
Significado cultural para a região
Para Paredes e para o tecido cultural do Norte, a presença de nomes como Sérgio Godinho e a fórmula de concertos que cruzam gerações sublinha a capacidade do Vodafone Paredes de Coura em conciliar programação de autor com atracção de públicos diversos. Este tipo de iniciativas contribui para afirmar a região como palco de propostas culturais ambiciosas e para dinamizar a economia local através do turismo associado ao festival.
Além do impacto imediato, a dimensão intergeracional do concerto evidencia um património cultural em renovação: as canções permanecem vivas porque são reinterpretadas por artistas mais novos e reencontram se com novas plateias. Para agentes culturais e promotores locais, este fenómeno reforça a necessidade de criar mecanismos que sustentem a presença contínua de eventos de grande escala e que permitam transformar esses momentos em oportunidades de desenvolvimento cultural e económico.
O Vodafone Paredes de Coura prosseguiu a sua programação com outros nomes do cartaz, mas o espectáculo de Sérgio Godinho ficará ligado à ideia de que a liberdade pode ser celebrada em conjunto, quando a tradição e a contemporaneidade se encontram com rigor interpretativo e entrega emocional.