O Paredes de Coura regressou com uma aposta clara na ligação à comunidade e na multiplicidade de experiências musicais e culturais, reafirmando-se como um dos eventos de verão com maior expressão no noroeste do país. João Carvalho, diretor do festival, sublinha que o evento pretende funcionar «como um lugar de emoções, cumplicidade e de bem-estar», articulando uma programação que cruza concertos de grande escala com iniciativas locais.
Envolvimento local e espaços variados
A primeira vertente salientada pela organização é o envolvimento da vila e das populações adjacentes: as atuações do projeto «Sobe à Vila» foram concebidas para reforçar essa ligação, integrando artistas e iniciativas que procuram trazer a música e a arte para a comunidade. Para além dos concertos principais, o festival dispõe de espaços dedicados a formatos mais intimistas, como o palco Jazz na Relva, áreas de troca de livros e zonas de emissão de podcasts que visam promover debate sobre temáticas sociais, nomeadamente misoginia, igualdade e inclusão.
- Integração com a comunidade local através do «Sobe à Vila»;
- Espaços culturais complementares: Jazz na Relva, troca de livros e podcasts;
- Atuação junto à praia fluvial do Taboão, relevante para a programação diurna.
Cartaz e dias fortes
A programação musical desenrola-se ao longo de quatro dias e inclui um leque heterogéneo de propostas, do indie ao eletrónico, do pop ao jazz. Entre as confirmações apontadas pela imprensa estão nomes como Kneekap, Wet Leg, The Horrors, Cmat, First Breath After Coma com Salvador Sobral e Capitão Fausto para o dia 12; Underworld, Hermanos Gutierrez, Kurt Vile & The Violators, Aldous Harding ou A Garota Não no dia 13; e no dia 14 nomes como M.I.A, Bloc Party, Benjamin Clementine, Sérgio Godinho e os Acessores com amigos. Para o dia 16 está prevista, entre muitos outros, a programação do palco Jazz na Relva para os que permanecerem até domingo.
| Dia | Alguns destaques |
|---|---|
| 12 | Kneekap, Wet Leg, The Horrors, Cmat, First Breath After Coma com Salvador Sobral, Capitão Fausto |
| 13 | Underworld, Hermanos Gutierrez, Kurt Vile & The Violators, Aldous Harding, A Garota Não |
| 14 | M.I.A, Bloc Party, Benjamin Clementine, Sérgio Godinho, Acessores |
| 16 | Palco Jazz na Relva e outras propostas diurnas e noturnas |
«É um lugar de emoções, cumplicidade e de bem-estar», declarou João Carvalho, sintetizando a intenção de ligar festival e comunidade.
Memória e impacto
O festival tem uma história que remonta a 1993, ano da primeira edição, e que, a partir de 1997, começou a trazer consistentemente nomes internacionais ao cartaz. Ao longo das décadas, o evento consolidou-se como referência cultural na região e como fator de atração turística durante os dias de programação. Além dos impactos económicos directos no alojamento, restauração e comércio locais, Paredes de Coura tem apostado também em dinâmicas que visam potenciar capital cultural e participação cívica.
Na presente edição, a presença de áreas dedicadas a debates através de podcasts e ações de aproximação à população sugere uma estratégia que ultrapassa a mera exibição sonora, procurando transformar o festival em plataforma de diálogo sobre questões sociais relevantes.
Ligação à natureza e programação diurna
O espaço natural da praia fluvial do Taboão volta a ser integrado na programação, com atividades diurnas até 15 de agosto, ampliando a oferta destinada a públicos diversos. A conjugação entre música, espaços ao ar livre e iniciativas culturais faz do Paredes de Coura um evento com múltiplas frentes de atuação, desde a fruição musical até a reflexão coletiva.
Para os cidadãos de Paredes e de municípios vizinhos, o festival representa não só uma oportunidade de assistir a concertos de referência, mas também um momento de revitalização cultural que alimenta a vida associativa e económica da região.