Na cerimónia evocativa do Dia do Concelho, realizada esta segunda-feira, Vítor Paulo Pereira, antigo presidente da Câmara Municipal de Paredes de Coura pelo Partido Socialista, foi agraciado com a Medalha de Honra do Município – Grau Ouro e com o título de Cidadão de Paredes de Coura. A distinção, entregue pelo executivo municipal liderado por Tiago Cunha, serviu também de palco para um discurso em defesa do território e contra o fenómeno do abandono das zonas rurais.
Uma homenagem com matriz histórica e política
O atual presidente da Câmara recuperou na intervenção um episódio histórico de 364 anos que, nas suas palavras, simboliza a resistência dos courenses a que «o destino lhes fosse imposto pela força». A alusão serviu para enquadrar a homenagem a Vítor Paulo Pereira numa narrativa mais ampla: a necessidade de continuar a combater, hoje, formas contemporâneas de perda de liberdade — nomeadamente o despovoamento e as desigualdades entre territórios.
«Também hoje a liberdade continua a exigir combate. Já não o combate das armas, mas o combate contra o abandono. Contra o despovoamento, contra as desigualdades entre territórios. Contra a resignação de quem acredita que viver fora do centro significa aceitar menos oportunidades.»
Tiago Cunha sublinhou que a governação de um concelho de baixa densidade exige «um exercício permanente de defesa da liberdade», que passa por políticas públicas concretas. Sem enumerar medidas específicas durante a intervenção registada, o autarca vinculou a defesa do território a áreas como a educação, a cultura, o apoio à criação de emprego, o cuidado com os idosos e a preservação paisagística e patrimonial.
Desenvolvimento local e memória coletiva
O presidente frisou ainda que cada medalha atribuída constitui «uma página da história contemporânea de Paredes de Coura» e que os nomes reconhecidos recordam a participação coletiva no desenvolvimento do concelho. Nesse enquadramento, Tiago Cunha afirmou que o progresso não resulta apenas das decisões dos responsáveis políticos, mas da soma de «muitas vidas que escolheram colocar o bem comum acima do interesse individual».
- Distinção: Medalha de Honra do Município – Grau Ouro e título de Cidadão de Paredes de Coura.
- Homenageado: Vítor Paulo Pereira, ex-presidente da Câmara (PS).
- Contexto: cerimónia do Dia do Concelho; discurso sobre despovoamento e desigualdades territoriais.
O discurso de Tiago Cunha incluiu ainda um apelo simbólico: a rejeição da ideia de que Paredes de Coura seja «uma periferia». Pelo contrário, afirmou que o município deve ser visto como «o centro de um território de oportunidades», reivindicação que pretende atrair atenção para a necessidade de medidas que travem assimetrias regionais.
Impacto local e desafios por enfrentar
A entrega da medalha a Vítor Paulo Pereira surge num momento em que muitos municípios do interior do Norte e do país enfrentam desafios demográficos e económicos semelhantes: queda da população, envelhecimento, e a pressão de centros urbanos que concentram recursos e serviços. A cerimónia em Paredes de Coura evoca, portanto, uma debate mais amplo sobre políticas de coesão territorial e sobre como pequenos concelhos podem reter população e incentivar atividade económica.
| Elemento | Dados |
|---|---|
| Homenageado | Vítor Paulo Pereira (antigo presidente da Câmara, PS) |
| Distinções | Medalha de Honra do Município – Grau Ouro; Título de Cidadão de Paredes de Coura |
| Momento | Cerimónia evocativa do Dia do Concelho (esta segunda-feira) |
Para os moradores e agentes locais, a homenagem é simultaneamente um reconhecimento da ação de figuras públicas e um lembrete da urgência em manter políticas que contrariem a perda de vitalidade nos territórios de baixa densidade. A retórica de defesa do interior, proferida nesta cerimónia, coloca no centro do debate a necessidade de investir em serviços públicos, emprego e cultura como vetores de atratividade e fixação de população.
Num cenário regional marcado por competições por recursos e visibilidade, a mensagem deixada em Paredes de Coura — de que o concelho não é periferia mas um «centro de oportunidades» — pretende traduzir-se em políticas e práticas que deem substância a essa afirmação. A medalha a Vítor Paulo Pereira é, assim, também um sinal político: uma chamada à ação para quem governa e para quem vive o território.