A 32.ª edição do Festival Paredes de Coura arrancou esta semana na vila minhota com a habitual mistura de música, convívio e natureza, marcada também por um eclipse que muitos visitantes não quiseram perder. O primeiro dia ficou registado pela forte componente comunitária descrita por frequentadores e pelo acesso à praia fluvial do Taboão, onde se concentrou grande parte das atividades informais e do ambiente de festa.
Ambiente e testemunhos
O festival voltou a trazer ao presente a sensação de um «lugar seguro» para relaxar e reencontrar amigos. Entre as vozes recolhidas no local, Clara Magalhães, anestesista de 28 anos, natural do Peso da Régua, resume a experiência: «É onde me sinto mais livre. Não tenho horas, é onde a cabeça espairece mais. Parece uma casa grande». Clara, que diz ter estado no evento por dez ocasiões, ocupava o primeiro dia de festival junto à praia fluvial, em conversa com amigos e a dar continuidade a um projecto de desenho pessoal iniciado em 2025.
Também a enfermeira Mariana Cunha, de 27 anos, deslocada da Amadora, descreveu o festival como «uma semana para esquecer a rotina e os problemas, longe de julgamentos». Para muitos, explicou, o evento funciona como um «refúgio da vida real», onde a parte musical se combina com o campismo e a componente social.
Práticas e logística no espaço
O primeiro dia registou cenas rotineiras da edição: banhos na água, boias e pequenas embarcações na área da praia fluvial, calor persistente que favoreceu a concentração junto ao rio e percursos que exigem subidas e descidas. Também foram apontadas dificuldades com os parques de estacionamento: alguns ficam mais distantes e outros apresentam preços elevados, uma questão recorrente em edições anteriores que condiciona a mobilidade e os custos para visitantes.
- Atividades: desenho colectivo (retomado em 2025), convívio à beira-rio, observação do eclipse com óculos certificados;
- Perfil dos participantes: jovens profissionais, muitos vindos de outras regiões para acampar e socializar;
- Infraestruturas: parques de estacionamento dispersos, acessos com subidas e descidas físicas que marcam o território.
«Vim pela música, para limpar a cabeça, pelo campismo e pela parte social» — testemunho de uma visitante.
Retratos de quem veio encontrar-se
O festival continua a funcionar como ponto de encontro para várias gerações, com relatos que enfatizam a liberdade e a ausência de horários rígidos. Romeu Barraca, engenheiro de 27 anos, confessou que veio atraído sobretudo pelo ambiente de campismo, enquanto o primo Sandro, de 25 anos, destacou a componente da ligação com a natureza.
| Nome | Idade | Profissão | Origem |
|---|---|---|---|
| Clara Magalhães | 28 | Anestesista | Peso da Régua |
| Mariana Cunha | 27 | Enfermeira | Amadora |
| Romeu Barraca | 27 | Engenheiro | (não especificado) |
| Sandro Barraca | 25 | Engenheiro | (não especificado) |
O retrato humano do primeiro dia confirma a fórmula que tem mantido o festival como um fenómeno social: misturar música com um forte senso de pertença local e práticas ao ar livre. Para os residentes e para os visitantes, o evento é uma montra cultural que atrai não apenas pela programação musical, mas também pelo conjunto de experiências que decorrem na envolvente natural.
Nos dias seguintes, espera-se que as atuações e a circulação aumentem a pressão sobre a logística local, sobretudo no que toca a estacionamento e acessos, aspectos apontados por alguns participantes como pontos a melhorar. Até sábado, a vila continuará a receber milhares de visitantes que procuram, como muitos dizem, «um espaço para desligar» num dos festivais mais emblemáticos do Norte.