Problema afeta domicílios e gera queixas formais
Moradores da localidade de Passos, no concelho de Mirandela, queixam‑se de que a água que sai das torneiras está túrbida, com um tom alaranjado e com formação de depósitos no fundo de recipientes, situação que, segundo os próprios, tem vindo a agravar‑se nos últimos meses e compromete usos domésticos básicos.
O relato chegou à redação através de residentes locais que afirmam ter apresentado reclamações formais junto do município e ter levado amostras da água para análise, sem, contudo, obterem resposta satisfatória. Questionado sobre a situação, o presidente da Câmara Municipal de Mirandela não respondeu até ao momento às solicitações de esclarecimento feitas pela imprensa.
Impacto nas famílias: roupa, alimentação e pele
Os efeitos descritos pelos moradores abrangem diferentes domínios da vida diária. Entre as queixas destacam‑se:
- danos na roupa provocados pela água com depósitos;
- impossibilidade de cozinhar com a água da torneira;
- necessidade de comprar água engarrafada para consumo e higiene;
- problemas de pele — um caso referido no local é de uma criança com dermatite atópica.
«Moro aqui há três anos e sempre foi assim, mas nos últimos meses piorou; tenho prejuízos em roupas, cozinhar é impossível e banhos é porque não temos alternativa»,
disse Rui Contins, um dos moradores que falou com a imprensa. Ainda segundo a mesma reportagem, Telma Contins sublinhou a preocupação de ter uma filha com pele atópica: «ter de lhe dar banho com esta água é revoltante; depois de tirar a água da banheira fica com círculos de terra, literalmente».
Outro habitante, Luciano Macedo, afirmou já ter levado «amostras de água à Câmara Municipal», referindo que a sua queixa não foi tratada com a seriedade que esperava: «onde se riram da situação», disse, conforme registos locais.
Reclamações e resposta institucional
Segundo os relatos, os moradores têm realizado diversas queixas junto das entidades locais, mas até ao fecho da reportagem a autarquia não prestou esclarecimentos públicos sobre análises efetuadas, trabalhos de manutenção ou planos de intervenção. A fatura da água, contudo, continua a chegar às habitações, pelo que os afetados denunciam uma situação de obrigatoriedade de pagamento por um serviço que consideram inadequado.
| Morador | Queixa/efeito referido |
|---|---|
| Rui Contins | Água turva, prejuízos em roupas, impossibilidade de cozinhar, banho apenas por falta de alternativa |
| Telma Contins | Filha com pele atópica: deposição de sujidade na banheira após o banho |
| Luciano Macedo | Levou amostras à Câmara; considera que a queixa não foi tratada com seriedade |
Consequências económicas e de saúde
Para além do transtorno diário, os relatos apontam para um custo adicional nas famílias que compram água engarrafada para consumo e higiene, algo que pesa no orçamento doméstico, sobretudo em localidades rurais e com população envelhecida. Há ainda uma preocupação imediata de saúde pública: pessoas com condições cutâneas sensíveis, como a referida dermatite atópica, podem ver o quadro agravado se continuarem expostas a água de qualidade duvidosa.
O caso em Passos levanta questões sobre monitorização da rede de abastecimento, manutenção de condutas e equipamentos de tratamento, bem como a comunicação entre a autarquia e os munícipes. Até à publicação desta peça, não houve resposta oficial por parte do Município de Mirandela às perguntas enviadas pela nossa redação.
Os moradores esperam uma intervenção célere que esclareça as causas do problema, apresente resultados de análises laboratoriais e proponha medidas correctivas que garantam o abastecimento de água potável em condições aceitáveis. Sem isso, a frustração e os custos suportados pelas famílias tendem a aumentar.
Esta reportagem continuará a acompanhar a evolução do caso e procurará obter, junto da Câmara Municipal e das entidades responsáveis pelo sistema de abastecimento, informações complementares sobre análises, intervenções programadas e prazos para solução.