Escola Profissional de Agricultura de Carvalhais pode ver atividades condicionadas
A Escola Profissional de Agricultura (EPA) de Carvalhais, em Mirandela, está em situação crítica por falta de pessoal operacional e administrativo, situação que coloca em risco o arranque do ano lectivo nas próximas semanas. A direcção da escola temem que a incapacidade de repor rapidamente os quadros comprometa actividades essenciais, nomeadamente os cuidados a animais, o funcionamento do refeitório e o alojamento escolar.
O problema foi exposto pelo director da instituição, Marcelino Martins, que diz ter recebido «silêncio» por parte do Ministério da Educação após sucessivas tentativas de resolução. Segundo a direcção, há um défice de cerca de 15 funcionários — uma lacuna que, em cenários de escolas de natureza agrícola, não é apenas administrativa: traduz-se em risco para animais, infra‑estruturas e continuidade pedagógica.
- Funções em falta: assistentes operacionais e administrativos;
- Défice estimado: menos 15 trabalhadores;
- Impactos previstos: limitação de valências como processamento de azeite, gestão de residências e cuidado animal.
«Uma escola agrícola tem uma carga de trabalho incomparável»
Na explicação pública, a direcção recorda que uma escola agrícola exige tarefas diárias que não admitem adiamentos: alimentação e tratamento dos animais, manutenção de explorações, funcionamento do lagar e funcionamento da residência escolar. Marcelino Martins alerta que «não saber como solucionar o problema de ter um rácio de menos 15 funcionários» pode significar que «outras coisas vão ter de ficar para trás» e manifesta «sérias dúvidas que a escola possa pôr a laborar o lagar de azeite se isto continuar assim».
O modelo de funcionamento das EPA envolve simultaneamente ensino técnico, produção e serviços de suporte — um conjunto que gera retorno económico e vínculos com empresas locais. A direcção sublinha, por isso, que a falta de pessoal não é apenas um problema administrativo, mas uma ameaça ao papel da escola como factor de fixação de população e de promoção de emprego no território de Trás‑os‑Montes.
Consequências para o território e para o mercado de trabalho
Em Mirandela e na região envolvente, as escolas profissionais de agricultura funcionam como pontos de ligação entre formação e mercado. A EPA de Carvalhais, segundo a direcção, tem sido «crucial para fixar os jovens no território, ligando‑os às empresas locais e criando postos de trabalho». Uma paralisia parcial da escola terá, portanto, efeitos em cadeia: menos produção local, menor oferta formativa especializada e enfraquecimento da resposta a uma procura crescente de mão de obra qualificada no sector agrícola.
| Item | Descrição |
|---|---|
| Postos em falta | Assistentes operacionais e administrativos |
| Défice estimado | ~15 funcionários |
| Riscos imediatos | Paragem de algumas valências (lagar, residências, cuidados a animais) |
A direcção avançou ter proposto, já em agosto, a contratação de tarefeiros para garantir o arranque do ano lectivo. Até ao momento, segundo a informação disponibilizada, não houve resposta da tutela. O silêncio do Ministério da Educação, denuncia a direcção, impede soluções emergenciais que poderiam minimizar o impacto enquanto decorrem os procedimentos concursais formais.
Especialistas em políticas educativas e agentes locais costumam apontar que as escolas profissionais, particularmente as de cariz agrícola, exigem respostas administrativas mais céleres ou mecanismos de contingência para garantir a segurança animal e a continuidade das aprendizagens práticas. Sem essas respostas, a EPA de Carvalhais arrisca ver reduzida a sua capacidade formativa e produtiva no momento em que a região mais precisa de mão de obra qualificada para sustentar actividade económica e combater a desertificação.
Nas próximas semanas, a comunidade escolar, empresas locais e famílias de alunos acompanharão atentamente as comunicações do Ministério da Educação. A expectativa é que seja encontrada uma solução temporária que permita o normal funcionamento das actividades essenciais até à regularização definitiva dos postos de trabalho.