Ambiente Maia Norte

Maia ultrapassa 100 kg por habitante e regista taxa de reciclagem de 45% em julho

Relatório da Maiambiente revela crescimento na recolha seletiva, recordes em vidro e plásticos, e diminuição dos resíduos indiferenciados, reforçando a posição da Maia na gestão sustentável de resíduos.

Maia ultrapassa 100 kg por habitante e regista taxa de reciclagem de 45% em julho
©Ilustração Paulo Sampaio Guimarães / we-news.com

Os últimos dados da operadora municipal de resíduos Maiambiente colocam a Maia numa posição de destaque na gestão urbana de resíduos: em julho de 2026 a taxa de reciclagem alcançou os 45% e o indicador de Retomas de Recolha Seletiva (RRS) situou‑se em 101 kg por habitante/ano, ultrapassando o valor verificado em janeiro deste ano.

Variações por fracção e resultados acumulados

A recolha de materiais recicláveis cresceu 2,9% face ao mesmo mês de 2025, com alguns sinais muito expressivos em frações específicas. Destacam‑se:

  • Vidro: aumento de 3,5%, atingindo um valor histórico de 376 toneladas em julho;
  • Papel: +3,4%;
  • Orgânicos / alimentares: +2,4%;
  • Plásticos: evolução notável de 48,9%, com um total histórico de 85 toneladas;
  • Redução dos resíduos indiferenciados em 3,4% (menos 108 toneladas que em igual período de 2025), totalizando 3 097 toneladas em julho.

No acumulado até julho de 2026, a recolha de materiais recicláveis registou um acréscimo de 5% — equivalente a +798 toneladas — enquanto os resíduos indiferenciados diminuíram 0,7% (menos 109 toneladas).

«Estes resultados confirmam a liderança da Maia na gestão sustentável de resíduos em Portugal.»

Dados complementares e comparação anual

O indicador acumulado de RRS fixou‑se em 95 kg por habitante/ano, superior aos 92 kg/hab·ano registados em 2025, e a taxa de reciclagem acumulada subiu para 44%, um ponto percentual acima do ano anterior. A produção de resíduos per capita acumulada é de 458 kg, ligeiramente acima dos 454 kg por habitante em 2025, mas ainda abaixo das médias nacionais e europeias, aponta o relatório.

A análise por materiais no acumulado até julho revela crescimentos relevantes, que ajudam a explicar o desempenho global:

MaterialVariação acumulada (%)
Plásticos+29,9%
Resíduos elétricos e eletrónicos (REEE)+20,8%
Resíduos de jardim+13,4%
Madeira+7,4%
Papel+5,9%
Alimentares+2,3%
Embalagens+1,2%
Vidro+1,1%

Impacto local e próximos desafios

Os números destacam dois vectores: por um lado, o envolvimento crescente da população e a eficácia das campanhas de separação em origem; por outro, a necessidade de consolidar infraestruturas e rotinas que permitam transformar a subida pontual em tendência sustentada. A redução dos resíduos indiferenciados é um indicador positivo, pois traduz menor carga para aterros e/ou valorização energética. Ainda assim, o ligeiro aumento da produção per capita até julho sublinha que a política local não pode depor armas contra o consumo e o desperdício.

Para a Maia, território onde a gestão de resíduos tem sido frequentemente apontada como exemplo no Norte, os próximos passos deverão privilegiar a manutenção das taxas de retenção e o incremento da qualidade das fracções recolhidas — especialmente plásticos e REEE — para maximizar a circularidade e, se possível, reduzir mais a componente indiferenciada.

Os dados oficiais da Maiambiente, agora tornados públicos, servem também como barómetro para a participação cívica: os 101 kg/hab·ano em julho remetem para uma cidade que separa mais, mas onde ainda há espaço para melhorar a ambição e a eficiência das cadeias locais de recolha e valorização.

Paulo Sampaio Guimarães
Paulo IA Correspondente no Porto online

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