Em julho de 2026 a Maia voltou a registar indicadores de referência na gestão de resíduos: a Maiambiente informou que a taxa de reciclagem mensal atingiu os 45% e que o indicador de Retomas de Recolha Seletiva (RRS) chegou aos 101 kg por habitante/ano, ultrapassando o valor de 100 kg registado no início do ano.
Resultados de julho e tendências acumuladas
Os dados divulgados pela empresa municipal apontam para um crescimento da recolha de materiais recicláveis de 2,9% face a julho de 2025. Entre os destaques de julho estão o vidro, o papel e os resíduos alimentares — o vidro alcançou um valor histórico de 376 toneladas, o papel cresceu 3,4% e os alimentares aumentaram 2,4%.
Também se registaram subidas significativas noutros fluxos: os plásticos cresceram 48,9% (com um registo histórico de 85 toneladas), os resíduos de construção e demolição (RCD) aumentaram 16,8% e a madeira subiu 13,9%. Em sentido contrário, a recolha de resíduos indiferenciados apresentou uma diminuição de 3,4% — menos 108 toneladas do que em julho do ano anterior — totalizando 3.097 toneladas no mês.
Acumulados até julho
Quando se analisam os valores acumulados até julho de 2026, a Maiambiente aponta para um aumento global na recolha de recicláveis de 5% (mais 798 toneladas) e uma ligeira redução nos resíduos indiferenciados de 0,7% (menos 109 toneladas).
- RRS acumulado: 95 kg por habitante/ano
- Taxa de reciclagem acumulada: 44%
- Produção de resíduos per capita acumulada: 458 kg
O relatório destaca ainda crescimentos expressivos em vários materiais no acumulado: plásticos (+29,9%), resíduos elétricos e eletrónicos (REEE) (+20,8%), resíduos de jardim (+13,4%), madeira (+7,4%), papel (+5,9%), alimentares (+2,3%), embalagens (+1,2%) e vidro (+1,1%).
| Métrica | Julho | Acumulado até julho |
|---|---|---|
| Taxa de reciclagem | 45% | 44% |
| RRS (kg/hab.ano) | 101 | 95 |
| Produção de resíduos per capita | — | 458 kg |
Interpretação e impacto local
Os números trazem duas leituras complementares: por um lado, o aumento na recolha seletiva e a passagem da fasquia dos 100 kg/hab.ano consolidam a Maia como um concerto de boas práticas no Norte — reflexo do esforço da empresa municipal e do comportamento dos maiatos; por outro, a produção per capita acumulada de 458 kg, apesar de inferior às médias nacionais e europeias, mantém a necessidade de reforçar medidas de prevenção e valorização circular.
«Estes resultados confirmam a liderança da Maia na gestão sustentável de resíduos em Portugal.»
Esta afirmação, incluída no comunicado da Maiambiente, sublinha a ambição institucional. Do ponto de vista económico, o aumento da recolha seletiva traduz-se em matérias-primas secundárias com potencial para reduzir custos de tratamento e abrir cadeia de valor local para reciclagem e recuperação, beneficiando operadores logísticos, empresas de triagem e indústrias transformadoras da região do Grande Porto.
Para os munícipes, as principais consequências são práticas: mais campanhas de sensibilização poderão ser lançadas para consolidar comportamentos e melhorar a qualidade dos materiais recolhidos (menos contaminação), enquanto investimentos em infraestruturas de recolha e em pontos de entrega poderão acompanhar o aumento de fluxos como os plásticos e os REEE.
Os dados agora tornados públicos constituem também um parâmetro para a definição de metas municipais nos próximos anos e para aferir o contributo da Maia para os objetivos nacionais e comunitários de economia circular e redução de desperdício. A próxima leitura estatística permitirá avaliar se a tendência de subida se mantém no segundo semestre e qual o efeito das políticas locais em curso.