A Região Autónoma da Madeira encerrou 2025 com um superavit de 157,3 milhões de euros no saldo comercial das transações de bens, segundo os dados definitivos hoje divulgados pela Direção Regional de Estatística (DREM). O resultado traduz um agravamento do excedente face a 2024 e reflete um crescimento das exportações que superou o das importações.
Exportações em máximos históricos
A DREM destaca que as exportações se fixaram em 499,9 milhões de euros em 2025, um aumento de 35,9% face ao ano anterior — o que corresponde a mais 132,2 milhões de euros. Trata‑se do valor mais elevado alguma vez registado para as vendas externas da Região.
Parte desse crescimento é explicado pelo desempenho nas transacções com o espaço comunitário: as exportações para países intra‑UE passaram de 162,4 milhões de euros em 2024 para 229,6 milhões em 2025. As vendas a destinos extra‑UE também subiram, para 270,3 milhões de euros, face aos cerca de 205,4 milhões do ano anterior.
Importações também cresceram, mas em ritmo mais lento
Quanto às importações, estas atingiram 342,6 milhões de euros em 2025, um acréscimo de 13,7% (mais 41,2 milhões de euros) face a 2024. A subida resulta sobretudo das compras realizadas no espaço intra‑UE, que totalizaram 284,0 milhões de euros, ou seja, 34,3 milhões a mais que no ano precedente. As aquisições a países extra‑UE aumentaram também, ainda que de forma mais moderada, passando de 51,8 milhões para 58,6 milhões de euros.
A DREM nota que o valor das importações em 2025 foi o segundo maior da série histórica, ficando apenas atrás do pico observado em 2022, quando as compras externas atingiram 343,4 milhões de euros.
Saldo e taxa de cobertura
O balanço entre as exportações e as importações traduziu‑se num superavit de cerca de 157,3 milhões de euros em 2025, superior em 91,0 milhões ao saldo positivo registado em 2024 (66,3 milhões de euros). A taxa de cobertura — indicador que relaciona exportações e importações — situou‑se em 145,9%.
| Ano | Exportações (€) | Importações (€) | Saldo (€) |
|---|---|---|---|
| 2024 | ≈ 367,7 milhões | ≈ 301,3 milhões | 66,3 milhões |
| 2025 | 499,9 milhões | 342,6 milhões | 157,3 milhões |
Nota: valores de 2024 foram inferidos a partir das variações percentuais e montantes absolutos comunicados pela DREM para 2025.
Interpretação e impacto local
O forte crescimento das exportações sugere uma dinamização das cadeias de oferta regionais e um reforço das ligações comerciais, sobretudo no âmbito da União Europeia. Para a economia madeirense — fortemente marcada por actividades de serviços, turismo e um tecido empresarial de pequenas e médias empresas —, um excedente comercial desta natureza pode traduzir‑se em maior liquidez para agentes locais, reforço de projetos de internacionalização e maior resiliência face a choques externos.
No entanto, o aumento das importações, sobretudo intra‑UE, indica também uma procura interna crescente por bens estrangeiros, que pode reflectir recuperação económica, investimento em activos ou necessidades de aprovisionamento das empresas locais.
- Exportações 2025: 499,9 milhões de euros (+35,9%).
- Importações 2025: 342,6 milhões de euros (+13,7%).
- Saldo: superavit de 157,3 milhões de euros; taxa de cobertura 145,9%.
Para os decisores regionais, estes números são um indicador útil para calibrar políticas de apoio à internacionalização, logística portuária e competitividade das empresas. Também podem influenciar o desenho de incentivos e medidas de promoção de sectores exportadores na ilha.
Próximos passos e vigilância
A evolução do comércio internacional depende, naturalmente, da conjuntura externa — preços internacionais, cadeias de transporte, e políticas comerciais — e da capacidade local de manter ganhos de competitividade. A DREM continuará a publicar séries e detalhar perfis por produto e destino, o que permitirá uma análise mais granular sobre quais os sectores que impulsionaram o desempenho de 2025.
Na Madeira, onde o mar e o clima moldam tanto a vida quotidiana como a economia, entender como e para onde se exporta é essencial para planear o futuro económico da região.