A Câmara Municipal de Machico reagiu com surpresa ao anúncio do cancelamento, este ano, da Festa da Uva e do Agricultor, iniciativa que durante décadas constituiu uma homenagem à produção local e aos agricultores do Porto da Cruz. Em comunicado, o município lamenta o fim temporário de um evento que considera de relevo para a identidade e economia rural da freguesia.
Preocupação com a continuidade de uma tradição
O cancelamento foi justificado pela Casa do Povo do Porto da Cruz com a falta de financiamento e apoios públicos. A autarquia salienta que, apesar de reconhecer a redução acentuada da produção e do número de famílias dedicadas à cultura da Uva Americana, ainda acredita ser possível inverter essa tendência e relançar a actividade.
«Tomámos conhecimento da decisão com surpresa»
No mesmo comunicado, a Câmara defende que não se trata apenas de preservar uma tradição folclórica, mas de criar condições concretas para que a viticultura local tenha futuro. Entre as alternativas apontadas estão a diversificação da utilização da uva e a procura de valor acrescentado através de transformados, com a autarquia a disponibilizar-se para colaborar na prossecução dessas vias.
- Comercializar a Uva Americana como produto de mesa;
- Desenvolver a produção de doces e outros produtos transformados;
- Relançar o potencial da uva na produção de Vinho Americano.
Estas opções, sublinha a Câmara, visam não só manter viva a memória de uma festa que congrega a comunidade, mas sobretudo criar um desenvolvimento sustentável para a actividade agrícola. A autarquia afirma estar disponível para colaborar com a Casa do Povo do Porto da Cruz, agricultores e demais parceiros na procura de soluções que viabilizem o regresso da festa e a valorização da produção local.
| Problema | Sugestões apontadas |
|---|---|
| Queda da produção e apoio insuficiente | Comercialização em fresco; transformados; promoção de Vinho Americano |
O Porto da Cruz, onde a Uva Americana tem uma longa presença histórica, enfrenta hoje desafios comuns a muitas actividades agrícolas na Região: envelhecimento dos agentes, diminuição das áreas dedicadas e dificuldades de financiamento. Para uma ilha como a Madeira, em que as paisagens culturais e os produtos tradicionais são também elementos de oferta turística e identidade colectiva, a preservação destas culturas assume um valor simbólico e económico.
A posição da Câmara de Machico aponta para uma abordagem prática: mais do que a mera realização anual de uma festa, importa construir cadeias de valor que tornem a actividade agrícola viável ao longo do ano. O comunicado não especifica calendários nem montantes de apoio, limitando-se a manifestar disponibilidade para cooperação e a enumerar possíveis caminhos para a requalificação da produção.
À medida que se conhecerem eventuais contactos entre o município, a Casa do Povo e potenciais financiadores ou técnicos, será possível avaliar que medidas concretas podem ser implementadas para recuperar a festa e reforçar a produção. Até lá, a ausência da edição deste ano deixa um vazio no calendário cultural do concelho e lança um alerta sobre a necessidade de agir para que a tradição da uva não se esgote com as últimas colheitas.