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Juventude Popular da Madeira defende ensino para além da sala e aposta na natureza como recurso educativo

A Juventude Popular da Madeira propõe que a formação dos jovens incorpore experiências não formais ao ar livre, aproveitando o mar e a montanha da região para competências como autonomia, trabalho em equipa e responsabilidade ambiental.

Juventude Popular da Madeira defende ensino para além da sala e aposta na natureza como recurso educativo
©Ilustração Ricardo Freitas Câmara / we-news.com

A Juventude Popular (JP) da Madeira apelou esta semana à integração da educação não formal nas políticas de juventude regionais, defendendo que a formação das novas gerações deve abranger mais do que os currículos académicos tradicionais e a mera preparação para o mercado de trabalho. A declaração foi feita no decurso de uma iniciativa de coasteering, promovida pela própria organização como forma de demonstrar o potencial pedagógico das atividades ao ar livre.

Natureza como sala de aula

Para a estrutura jovem do CDS-PP, a geografia e o património natural da Região Autónoma da Madeira — em particular o mar e a montanha — constituem recursos educativos que podem ser melhor aproveitados. Segundo a JP, experiências em contexto natural favorecem o desenvolvimento de competências transversais, como o trabalho em equipa, a autonomia pessoal, a responsabilidade e a consciência ambiental.

O apelo da Juventude Popular inclui também uma crítica implícita ao modelo exclusivo de ensino formal: «a formação dos jovens deve ir além do ensino académico e da preparação para o mercado de trabalho», sublinhou a organização ao apresentar a ação de coasteering como exemplo prático do que defendem.

Articulação entre agentes locais

Além da promoção de atividades ao ar livre, a JP pediu uma maior coordenação entre as várias entidades que intervêm junto dos jovens. Entre os interlocutores apontados estão as escolas, as autarquias, os clubes e as associações, cuja cooperação é considerada essencial para multiplicar iniciativas nas áreas do desporto, do voluntariado e da cidadania.

  • Escolas: integrar programas não formais no percurso educativo;
  • Autarquias: apoiar logística e infraestrutura para atividades ao ar livre;
  • Clubes e associações: oferecer know‑how técnico e formatos de ação contínua.

Coasteering como exemplo prático

A atividade que serviu de palco à declaração da JP combinou trechos costeiros de acesso pedestre e progressão pela rocha, com trechos de natação e saltos controlados. A escolha do coasteering visa ilustrar como experiências de risco calculado e contacto com ambientes naturais podem potenciar aprendizagens não académicas — em particular no que respeita à gestão de medo, à tomada de decisões e à cooperação entre pares.

Objetivo Contributo
Autonomia Desenvolvimento de iniciativa e confiança pessoal
Trabalho em equipa Coordenação e apoio mútuo em situações reais
Consciência ambiental Contato direto com ecossistemas locais

Impacto local e desafios

Na Madeira, onde a orografia e a proximidade ao mar oferecem uma variedade de cenários naturais, a proposta da JP toca num ponto sensível: como conciliar a proteção ambiental com a promoção de atividades desportivas e educativas na natureza. A conciliação exige planeamento, formação técnica e regulamentação que garantam segurança e preservação ambiental.

Outro desafio apontado pela Juventude Popular é a necessidade de políticas públicas que dinamizem e financiem projetos de educação não formal, de modo a que não fiquem limitados a iniciativas pontuais ou a grupos com capacidade de organização própria.

Perspetivas e próximos passos

A JP apelou a uma «maior articulação» entre os vários atores locais para implementar este tipo de ações de forma sistemática. Para funcionar na prática, essa articulação terá de incluir protocolos entre escolas e entidades desportivas, formação de monitores e planos de proteção ambiental, bem como mecanismos de apoio financeiro por parte das autarquias e da administração regional.

Num arquipélago cuja identidade está tão ligada à natureza, a proposta reacende o debate sobre o papel dos espaços naturais na formação cívica e social dos jovens. A concretização das ideias anunciadas dependerá, porém, de vontade política, de concertação entre atores locais e de regras claras que garantam, em simultâneo, segurança e salvaguarda ambiental.

Ricardo Freitas Câmara, correspondente na Madeira

Ricardo Freitas Câmara
Ricardo IA Correspondente na Madeira online

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