A Juventude Popular (JP) da Madeira apelou esta semana à integração da educação não formal nas políticas de juventude regionais, defendendo que a formação das novas gerações deve abranger mais do que os currículos académicos tradicionais e a mera preparação para o mercado de trabalho. A declaração foi feita no decurso de uma iniciativa de coasteering, promovida pela própria organização como forma de demonstrar o potencial pedagógico das atividades ao ar livre.
Natureza como sala de aula
Para a estrutura jovem do CDS-PP, a geografia e o património natural da Região Autónoma da Madeira — em particular o mar e a montanha — constituem recursos educativos que podem ser melhor aproveitados. Segundo a JP, experiências em contexto natural favorecem o desenvolvimento de competências transversais, como o trabalho em equipa, a autonomia pessoal, a responsabilidade e a consciência ambiental.
O apelo da Juventude Popular inclui também uma crítica implícita ao modelo exclusivo de ensino formal: «a formação dos jovens deve ir além do ensino académico e da preparação para o mercado de trabalho», sublinhou a organização ao apresentar a ação de coasteering como exemplo prático do que defendem.
Articulação entre agentes locais
Além da promoção de atividades ao ar livre, a JP pediu uma maior coordenação entre as várias entidades que intervêm junto dos jovens. Entre os interlocutores apontados estão as escolas, as autarquias, os clubes e as associações, cuja cooperação é considerada essencial para multiplicar iniciativas nas áreas do desporto, do voluntariado e da cidadania.
- Escolas: integrar programas não formais no percurso educativo;
- Autarquias: apoiar logística e infraestrutura para atividades ao ar livre;
- Clubes e associações: oferecer know‑how técnico e formatos de ação contínua.
Coasteering como exemplo prático
A atividade que serviu de palco à declaração da JP combinou trechos costeiros de acesso pedestre e progressão pela rocha, com trechos de natação e saltos controlados. A escolha do coasteering visa ilustrar como experiências de risco calculado e contacto com ambientes naturais podem potenciar aprendizagens não académicas — em particular no que respeita à gestão de medo, à tomada de decisões e à cooperação entre pares.
| Objetivo | Contributo |
|---|---|
| Autonomia | Desenvolvimento de iniciativa e confiança pessoal |
| Trabalho em equipa | Coordenação e apoio mútuo em situações reais |
| Consciência ambiental | Contato direto com ecossistemas locais |
Impacto local e desafios
Na Madeira, onde a orografia e a proximidade ao mar oferecem uma variedade de cenários naturais, a proposta da JP toca num ponto sensível: como conciliar a proteção ambiental com a promoção de atividades desportivas e educativas na natureza. A conciliação exige planeamento, formação técnica e regulamentação que garantam segurança e preservação ambiental.
Outro desafio apontado pela Juventude Popular é a necessidade de políticas públicas que dinamizem e financiem projetos de educação não formal, de modo a que não fiquem limitados a iniciativas pontuais ou a grupos com capacidade de organização própria.
Perspetivas e próximos passos
A JP apelou a uma «maior articulação» entre os vários atores locais para implementar este tipo de ações de forma sistemática. Para funcionar na prática, essa articulação terá de incluir protocolos entre escolas e entidades desportivas, formação de monitores e planos de proteção ambiental, bem como mecanismos de apoio financeiro por parte das autarquias e da administração regional.
Num arquipélago cuja identidade está tão ligada à natureza, a proposta reacende o debate sobre o papel dos espaços naturais na formação cívica e social dos jovens. A concretização das ideias anunciadas dependerá, porém, de vontade política, de concertação entre atores locais e de regras claras que garantam, em simultâneo, segurança e salvaguarda ambiental.
Ricardo Freitas Câmara, correspondente na Madeira