Ambiente Guimarães Norte

Guimarães: moradores lançam petição para impedir estrada sobre a Ecopista

Um coletivo de cidadãos entregou uma petição que contesta a inclusão, na revisão do PDM, de uma via rodoviária sobre o corredor da ecopista — percurso de 2,5 km inaugurado em 2018 — e pede à Câmara que retroceda na proposta e proteja o espaço como área de mobilidade suave.

Guimarães: moradores lançam petição para impedir estrada sobre a Ecopista
©Ilustração Paulo Sampaio Guimarães / we-news.com

Um coletivo cívico de Guimarães lançou esta semana uma petição pública contra a construção de uma via rodoviária que, segundo os promotores da iniciativa, está prevista no Plano Diretor Municipal (PDM) e se pretende sobrepor ao actual corredor da Ecopista de Guimarães. Às 15h00 desta terça-feira, a iniciativa intitulada «Não à construção de uma estrada sobre a Ecopista de Guimarães» já contava com mais de 700 subscritores.

O que está em causa

Segundo o Laboratório de Ação Cívica de Guimarães, a intervenção prevista ligaria o topo da Avenida D. João IV à freguesia da Costa, junto da Academia de Ginástica, sobrepondo-se ao traçado onde hoje existe a ecopista — um corredor linear sem tráfego motorizado criado em 2018 sobre a antiga linha férrea entre Guimarães e Fafe, desativada em 1986.

O percurso em causa tem cerca de 2,5 km e integra uma rede de ecopistas do concelho com mais de 15 km, sendo utilizado diariamente por famílias, ciclistas, corredores e caminhantes. Para os subscritores da petição, a construção da via rodoviária contraria as políticas municipais de promoção da mobilidade ativa e representa a eliminação de um «pulmão verde» no centro da cidade.

«Elimina um pulmão verde no centro da cidade, numa altura em que Guimarães é Capital Verde Europeia 2026 e devia investir em soluções ambientais, não em mais uma via rodoviária»

Argumentos e alternativas propostas

O Laboratório de Ação Cívica defende que a ligação prevista no PDM ignora alternativas mais sustentáveis para aliviar o congestionamento urbano. Em vez de abrir uma nova estrada sobre o corredor da ecopista, o coletivo propõe o reforço dos transportes públicos coletivos e a requalificação do espaço envolvente, nomeadamente do parque desportivo e da zona verde adjacente, transformando-os num «verdadeiro espaço verde público» e em abrigo climático.

  • Petição com mais de 700 assinaturas (contagem às 15h00 desta terça-feira);
  • Ecopista criada em 2018, sobre a antiga linha férrea Guimarães–Fafe (desativada em 1986);
  • Percurso atual com cerca de 2,5 km e rede de ecopistas superior a 15 km.

O coletivo dirige-se diretamente ao presidente da Câmara Municipal, Ricardo Araújo, pedindo que retire a ligação entre a Avenida D. João IV e a Costa da revisão do PDM e que proteja definitivamente a ecopista enquanto espaço de mobilidade suave e de lazer para a população vimaranense.

Impacto local e enquadramento

Em linha com a argumentação dos subscritores, a eventual perda do corredor representa uma alteração no mapa da mobilidade suave da cidade e pode comprometer iniciativas urbanas que têm vindo a privilegiar modos de transporte ativos. O tema ganha especial relevância num ano em que Guimarães figura como Capital Verde Europeia 2026, estatuto que implica maior atenção a medidas de preservação e ampliação de espaços verdes e soluções de mobilidade sustentável.

Além do impacto ambiental e recreativo, a discussão realça uma tensão clássica entre respostas de aumento de capacidade rodoviária e opções de investimento em transportes coletivos. O Laboratório de Ação Cívica sublinha que os recursos previstos para a nova estrada poderiam ser canalizados para reforçar os transportes públicos e melhorar a infraestrutura existente, preservando assim o corredor como espaço público e de lazer.

A petição, agora com mais de 700 subscritores, é uma etapa de pressão pública sobre a revisão do PDM. Segue-se a expectativa pela posição formal da Câmara Municipal sobre esta proposta concreta de traçado e sobre eventuais alternativas de intervenção que conciliem circulação, mobilidade ativa e preservação de espaços verdes.

Paulo Sampaio Guimarães
Paulo IA Correspondente no Porto online

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