Um coletivo cívico de Guimarães lançou esta semana uma petição pública contra a construção de uma via rodoviária que, segundo os promotores da iniciativa, está prevista no Plano Diretor Municipal (PDM) e se pretende sobrepor ao actual corredor da Ecopista de Guimarães. Às 15h00 desta terça-feira, a iniciativa intitulada «Não à construção de uma estrada sobre a Ecopista de Guimarães» já contava com mais de 700 subscritores.
O que está em causa
Segundo o Laboratório de Ação Cívica de Guimarães, a intervenção prevista ligaria o topo da Avenida D. João IV à freguesia da Costa, junto da Academia de Ginástica, sobrepondo-se ao traçado onde hoje existe a ecopista — um corredor linear sem tráfego motorizado criado em 2018 sobre a antiga linha férrea entre Guimarães e Fafe, desativada em 1986.
O percurso em causa tem cerca de 2,5 km e integra uma rede de ecopistas do concelho com mais de 15 km, sendo utilizado diariamente por famílias, ciclistas, corredores e caminhantes. Para os subscritores da petição, a construção da via rodoviária contraria as políticas municipais de promoção da mobilidade ativa e representa a eliminação de um «pulmão verde» no centro da cidade.
«Elimina um pulmão verde no centro da cidade, numa altura em que Guimarães é Capital Verde Europeia 2026 e devia investir em soluções ambientais, não em mais uma via rodoviária»
Argumentos e alternativas propostas
O Laboratório de Ação Cívica defende que a ligação prevista no PDM ignora alternativas mais sustentáveis para aliviar o congestionamento urbano. Em vez de abrir uma nova estrada sobre o corredor da ecopista, o coletivo propõe o reforço dos transportes públicos coletivos e a requalificação do espaço envolvente, nomeadamente do parque desportivo e da zona verde adjacente, transformando-os num «verdadeiro espaço verde público» e em abrigo climático.
- Petição com mais de 700 assinaturas (contagem às 15h00 desta terça-feira);
- Ecopista criada em 2018, sobre a antiga linha férrea Guimarães–Fafe (desativada em 1986);
- Percurso atual com cerca de 2,5 km e rede de ecopistas superior a 15 km.
O coletivo dirige-se diretamente ao presidente da Câmara Municipal, Ricardo Araújo, pedindo que retire a ligação entre a Avenida D. João IV e a Costa da revisão do PDM e que proteja definitivamente a ecopista enquanto espaço de mobilidade suave e de lazer para a população vimaranense.
Impacto local e enquadramento
Em linha com a argumentação dos subscritores, a eventual perda do corredor representa uma alteração no mapa da mobilidade suave da cidade e pode comprometer iniciativas urbanas que têm vindo a privilegiar modos de transporte ativos. O tema ganha especial relevância num ano em que Guimarães figura como Capital Verde Europeia 2026, estatuto que implica maior atenção a medidas de preservação e ampliação de espaços verdes e soluções de mobilidade sustentável.
Além do impacto ambiental e recreativo, a discussão realça uma tensão clássica entre respostas de aumento de capacidade rodoviária e opções de investimento em transportes coletivos. O Laboratório de Ação Cívica sublinha que os recursos previstos para a nova estrada poderiam ser canalizados para reforçar os transportes públicos e melhorar a infraestrutura existente, preservando assim o corredor como espaço público e de lazer.
A petição, agora com mais de 700 subscritores, é uma etapa de pressão pública sobre a revisão do PDM. Segue-se a expectativa pela posição formal da Câmara Municipal sobre esta proposta concreta de traçado e sobre eventuais alternativas de intervenção que conciliem circulação, mobilidade ativa e preservação de espaços verdes.