Guimarães pretende assumir-se como ponto de partida para um debate de âmbito nacional sobre os desafios económicos e o papel da transição verde na criação de oportunidades para empresas e territórios. As conclusões constam do estudo «A economia de Guimarães: percurso, estado e destino», apresentado esta quarta-feira no Laboratório da Paisagem pelo presidente da Câmara Municipal, Ricardo Araújo.
Diagnóstico: força industrial, mas ganhos que não acompanham o potencial
O estudo traça um retrato em quatro dimensões, segundo a apresentação do autarca. Guimarães dispõe de uma base económica forte, com uma presença significativa da indústria transformadora — que representa quase 43% do emprego no concelho, cerca de três vezes a média nacional — e exportações anuais na ordem dos 1,5 mil milhões de euros, um valor que cresceu cerca de 12% na última década.
No entanto, essa capacidade produtiva convive com várias fragilidades: produtividade aquém da média nacional, salários inferiores e uma baixa conversão do conhecimento em valor económico. Conforme os dados apresentados, a produtividade global do concelho corresponde a cerca de 92% da média nacional e, na indústria transformadora, o valor acrescentado por trabalhador situa-se nos 28 mil euros, comparativamente a cerca de 40 mil euros ao nível do país.
«Estávamos a perder terreno para os concelhos vizinhos», lembrou o presidente da Câmara, contextualizando o diagnóstico feito no início do mandato.
O impacto destas diferenças traduz-se nos rendimentos: o ganho médio de um trabalhador vimaranense é cerca de 82% da média nacional. A discrepância acentua-se nos graus mais elevados de qualificação: um licenciado aufere, em média, 81% do valor nacional; um mestre, 72%.
Conhecimento e investigação: paradoxos e oportunidades
O estudo identifica ainda um «paradoxo do conhecimento»: Guimarães apresenta um esforço em investigação e desenvolvimento acima da média nacional e uma rede forte de instituições científicas e tecnológicas. O concelho conta com 10 investigadores por cada mil habitantes, contra 6 no conjunto do país. No entanto, o investimento empresarial em I&D continua abaixo da média, o que limita a transformação desse conhecimento em actividades de maior valor acrescentado.
- Indústria transformadora: quase 43% do emprego local;
- Exportações: ~1,5 mil milhões de euros/ano (+12% em 10 anos);
- Produtividade e salários: valor acrescentado por trabalhador na indústria de 28 mil euros vs 40 mil euros nacional.
| Indicador | Guimarães | Média Nacional |
|---|---|---|
| Percentagem do emprego na indústria transformadora | ~43% | ~14% |
| Investigadores por 1.000 habitantes | 10 | 6 |
| Valor acrescentado por trabalhador (indústria) | 28.000 € | 40.000 € |
Consequências locais e a agenda para a transição verde
Para a Câmara Municipal, os dados implicam a necessidade de políticas activas para atrair talento, investimento e para reposicionar Guimarães nas cadeias de valor. A autarquia defende que a transição verde pode ser um vector de oportunidade, integrando a estratégia económica local com medidas que potenciem a competitividade das empresas e a valorização do conhecimento produzido no concelho.
O diagnóstico público chama também à mobilização dos agentes locais — empresas, instituições de ensino superior e centros tecnológicos — para transformar a capacidade de investigação em investimentos empresariais que elevem a produtividade e os rendimentos. A intenção anunciada é que Guimarães sirva de catalisador para um debate nacional mais amplo sobre como conciliar desenvolvimento económico e sustentabilidade ambiental.
Na prática, os próximos passos dependem da formulação de políticas municipais e de acordos com o tecido empresarial que permitam captar investimento qualificado e aumentar a aposta em actividades de maior valor acrescentado. O estudo, agora tornado público, servirá como mapa de referência para esse processo.
Do Laboratório da Paisagem, a mensagem foi clara: Guimarães tem estrutura e conhecimento, mas precisa de estratégias mais assertivas para converter essas vantagens em crescimento salarial e produtivo que beneficie a comunidade local.