Tradição, saberes e promoções locais
«Há tradições que se guardam à mesa e outras que passam de mão em mão.» Com esta imagem, Gondomar assinalou, no domingo, o Dia Mundial do Turismo, valorizando dois símbolos da identidade do concelho: o caldo de nabos e a filigrana. As comemorações, realizadas em Melres, cruzaram gastronomia, património imaterial e promoção turística local.
O ponto central do programa foi o VI Capítulo da Confraria do Caldo de Nabos de Gondomar, que incluiu a entronização de novos confrades, um desfile confrádico e um almoço de convívio em que o caldo assumiu lugar de destaque. A iniciativa reforça uma tradição ligada à agricultura local e às festas de São Cosme e São Damião, celebradas a 26 de setembro, e procura assegurar a transmissão intergeracional desta receita associada ao cultivo do nabo de São Cosme.
Autarcas e distinções
Entre as personalidades agora ligadas à Confraria como Confrades de Honra figuram o Presidente da Assembleia Municipal de Gondomar, Manuel António Pereira, e as vereadoras da Câmara Municipal de Gondomar Aurora Vieira e Carla Pinto Ferreira. A presença destes representantes reforça o carácter institucional e simbólico da iniciativa, que visa também a promoção externa de um produto e de práticas culturais locais.
| Evento | Detalhes |
|---|---|
| Capítulo | VI Capítulo da Confraria do Caldo de Nabos de Gondomar |
| Entidades entronizadas | Manuel António Pereira; Aurora Vieira; Carla Pinto Ferreira (Confrades de Honra) |
| Data | 27 de setembro de 2026 (Dia Mundial do Turismo) |
A Confraria tem vindo a assumir um papel activo na preservação e divulgação desta tradição gastronómica, procurando não apenas manter a receita viva mas também valorizá-la como elemento identitário do território.
Ligação entre gastronomia e artesanato
As comemorações estabeleceram ainda uma ligação simbólica entre o caldo de nabos e a filigrana — outra marca identitária de Gondomar. A empresa local Claudiouro associou-se à jornada apresentando uns brincos em filigrana em forma de nabo, uma criação que pretende ilustrar como os saberes tradicionais podem dialogar e inspirar novas expressões da identidade gondomarense.
- Valorização do nabo de São Cosme como produto com raiz local.
- Relação entre festividades religiosas e tradições gastronómicas.
- Promoção do artesanato de filigrana como elemento de identidade e inovação.
«Há tradições que se guardam à mesa e outras que passam de mão em mão.»
A conjugação destes símbolos — um prato popular e uma técnica de ourivesaria reconhecida — permite ampliar a mensagem turística do concelho: não se trata apenas de um produto pontual, mas de um conjunto de práticas e memórias que sustentam ofertas culturais e eventos locais.
Para Gondomar, cidade com forte tradição metalomecânica e conhecida nacionalmente pela filigrana, estas iniciativas funcionam também como instrumento de promoção económica. A projecção de peças artesanais que incorporam referências locais pode abrir circuitos de divulgação e potencialmente valorizar o artesanato em mercados de turismo cultural. Ao mesmo tempo, a defesa de receitas e cultivares tradicionais contribui para a manutenção de pequenas produções agrícolas e para a coesão comunitária.
O reforço do papel de confrarias e associações culturais no terreno é uma estratégia recorrente em localidades do Norte para preservar patrimónios imateriais e criar narrativas turísticas coerentes. Em Gondomar, o resultado é um encontro entre paladar e técnica manual que comunica história, território e economia local — numa celebração que pretende atravessar gerações e dar visibilidade ao que distingue o concelho.