O Comando Territorial da GNR de Vila Real destacou esta sexta-feira a prioridade dada à prevenção e investigação dos crimes mais participados no distrito: os incêndios florestais e a violência doméstica. Em declarações durante as jornadas de investigação criminal, realizadas em Vila Pouca de Aguiar no âmbito das comemorações do 17.º aniversário do comando distrital, o comandante local fez um balanço dos primeiros meses de 2026.
Detenções e investigação: números que preocupam
Segundo o comandante, desde o início do ano a Guarda já procedeu à detenção de 30 suspeitos pelo crime de incêndio florestal e de 32 suspeitos por violência doméstica no distrito. Estes valores colocam o comando de Vila Real entre os três comandos com mais detidos por incêndio florestal a nível nacional.
| Indicador | Valor (2026) |
|---|---|
| Detenções por incêndio florestal | 30 |
| Detenções por violência doméstica | 32 |
| Incêndios investigados | 560 (de 769 validados) |
| Área ardida no distrito | ~21 700 hectares |
O comandante sublinhou que «a violência doméstica e os incêndios florestais são os crimes mais participados neste distrito» e que, por esse motivo, a Guarda centra esforços tanto na prevenção como na investigação. As jornadas visaram precisamente partilhar práticas e aperfeiçoar respostas operacionais nestas áreas de atuação.
Incêndios de grande dimensão e impacto territorial
Os números recolhidos pelo comando espelham um quadro severo de sinistralidade no território. De um total de 769 incêndios validados na área de intervenção, foram investigados 560. O distrito de Vila Real é também aquele que regista maior área ardida em 2026, na ordem dos 21 700 hectares.
Entre os episódios mais significativos do ano está o incêndio que deflagrou no final de julho em Valpaços e alastrou aos concelhos de Mirandela, Vinhais e Macedo de Cavaleiros, tendo sido classificado como o segundo maior do país em 2026, com cerca de 7 000 hectares ardidos. O impacto territorial destes fogos traduz-se não só em perdas ambientais e económicas, como em alterações na perceção de segurança das populações locais.
Medidas locais de prevenção e apoio
O relatório das jornadas recordou também incêndios anteriores com consequências dramáticas. Em 2024, o concelho de Vila Pouca de Aguiar foi atingido por quatro fogos deflagrados no mesmo dia que consumiram cerca de 8 000 hectares, correspondendo a 17% do território do município. Como medida de reforço da investigação, a autarquia instalou, com coordenação da Polícia Judiciária, cinco câmaras de videovigilância para ajudar a identificar autores e apoiar processos criminais.
«Estas câmaras ajudam no âmbito da investigação e a deter aqueles que usam o incêndio como uma arma criminosa contra a floresta»,
declarou Ana Rita Dias, presidente da Câmara de Vila Pouca de Aguiar, sublinhando a necessidade de ferramentas complementares para travar crimes que provocam grande dano ambiental e económico.
- O comando de Vila Real investigou 560 incêndios de 769 validados na sua área.
- O distrito soma cerca de 21 700 hectares ardidos em 2026.
- Investimentos locais incluem instalação de câmaras de videovigilância em municípios afetados.
Além das ações de prevenção e das investigações em curso, os responsáveis locais destacaram a necessidade de reforçar respostas de suporte às vítimas de violência doméstica. A autarca de Vila Pouca de Aguiar mencionou um investimento municipal próximo de meio milhão de euros destinado à construção de habitação de emergência social, uma medida que pretende responder, também, às necessidades das vítimas.
As jornadas de investigação criminal realizadas em Vila Pouca de Aguiar são parte de iniciativas do comando distrital para aproximar forças de segurança, autarquias e organismos judiciais. Num distrito marcado por grandes incêndios e por uma procura constante de soluções para a proteção das populações, a GNR de Vila Real assume uma posição ativa na investigação criminal e na prevenção, com recursos, operações e cooperação institucional reforçados.
Para os residentes, a combinação de investigação policial mais proativa, vigilância e investimentos municipais representa um quadro de resposta ampliada, embora os números do terreno evidenciem que as ameaças — humanas e naturais — continuam a exigir atenção prioritária.