A ilha da Madeira surge como referência paisagística e cultural numa exposição de mobiliário e decoração de gama alta que está patente no Cimen Mall, em Xangai, até 7 de outubro. A mostra, intitulada «Not a Love Story – A Journey Through Portuguese Contemporary Design», reúne 12 marcas portuguesas e pretende oferecer ao público chinês uma narrativa integrada sobre o que Portugal produz no segmento do design contemporâneo.
Uma narrativa portuguesa construída por cenários
O percurso expositivo foi desenhado como uma história sobre um casal — do encontro até ao casamento e ao início de uma vida em comum — e utiliza cenários inspirados em Lisboa, na Madeira e no Algarve para enquadrar materiais, peças e objectos de autor. A intenção é apresentar o design português de forma coerente e contextualizada, contrapondo a oferta fragmentada que os promotores dizem existir atualmente no mercado chinês.
Do ponto de vista regional, a inclusão da Madeira no discurso cénico realça elementos paisagísticos e materiais que podem ser traduzidos em propostas de decoração e mobiliário com identidade local, valorizando tanto a componente estética como as histórias que acompanham os produtos.
Estratégia comercial num mercado em transformação
A iniciativa surge num contexto de procura por produtos de maior qualidade na China, apesar das dificuldades do sector imobiliário local. Os organizadores e representantes das marcas veem nesta mostra uma oportunidade para afirmar o design português através de atributos como materiais, sustentabilidade e autenticidade, trabalhando a imagem nacional como factor diferenciador.
Huang Liu, representante na China da marca de iluminação Serip e uma das coordenadoras do projecto, salientou a necessidade de mostrar a diversidade existente entre as empresas portuguesas e de superar a dispersão de oferta no país asiático:
«Queremos mostrar que existe esta quantidade e variedade», explicou Huang Liu, sublinhando que os produtos portugueses permanecem “bastante dispersos” no mercado chinês.
O que está em jogo para as marcas
Para as empresas presentes, a exposição soma duas funções centrais: dar visibilidade num grande centro comercial e testar receptividade junto de um público urbano e cosmopolita, potencialmente interessado em peças de maior valor acrescentado. A presença conjunta permite ainda criar uma narrativa mais sólida do que a comunicação individual de cada marca isolada.
- Local: Cimen Mall, Xangai
- Data: até 7 de outubro
- Número de marcas portuguesas: 12
- Áreas tema: Lisboa, Madeira, Algarve
| Elemento | Detalhe |
|---|---|
| Exposição | Not a Love Story – A Journey Through Portuguese Contemporary Design |
| Localização | Cimen Mall, Xangai |
| Marcas | 12 |
| Datas | Até 7 de outubro |
Do ponto de vista da promoção regional, a participação da Madeira como inspiração em cenários contribui para alargar o reconhecimento da identidade insular junto de potenciais importadores, distribuidores e consumidores chineses. Este tipo de iniciativas conjugadas pode facilitar contactos comerciais e parcerias que, a prazo, se traduzam em encomendas ou distribuição por canais de retalho premium.
Para as empresas portuguesas, e para as componentes regionais que servem de referência estética, o desafio continua a ser transformar essa visibilidade em relações comerciais estáveis, num mercado que valoriza tanto a inovação como a origem dos produtos. A exposição em Xangai funciona assim como um laboratório de imagem e posicionamento, onde a Madeira participa não apenas como paisagem, mas como fonte de materiais e narrativas.
Na ilha, o ecossistema do design e do artesanato observa com atenção estes movimentos: uma presença bem-sucedida em plataformas internacionais pode potenciar circuitos comerciais que valorizem o trabalho local e a adopção de estratégias de internacionalização mais coordenadas.
Em Xangai, o público e os profissionais que visitarem a mostra encontrarão um conjunto de peças que pretende ser mais do que uma demonstração estética — é uma proposta de valor dirigida a quem procura qualidade, sustentabilidade e um fio condutor identitário na decoração contemporânea.