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Deputado Miguel Castro abandona Chega/Madeira e passa a independente na Assembleia Legislativa

Miguel Castro, ex‑presidente do Chega/Madeira, anunciou que se desvincula do partido e que seguirá como deputado independente, alegando falta de confiança da nova direção regional e cortes nas suas funções dentro do grupo parlamentar.

Deputado Miguel Castro abandona Chega/Madeira e passa a independente na Assembleia Legislativa
©Ilustração Ricardo Freitas Câmara / we-news.com

Miguel Castro, que presidiu à estrutura regional do Chega entre 2022 e junho de 2026, anunciou que se desvinculou do partido e que vai exercer o mandato na Assembleia Legislativa da Madeira como deputado independente. A decisão, comunicada na sequência de atritos internos com a nova direção liderada por Hugo Nunes, altera a força parlamentar do partido no hemiciclo regional.

Ruptura interna e acusações de retirada de confiança

O antigo líder regional afirmou que a nova comissão política, eleita em junho, lhe retirou a confiança política e condicionou a sua atuação no grupo parlamentar. Em declarações à agência Lusa, Miguel Castro apontou para uma progressiva redução do seu papel, com a imposição de «barreiras dentro do grupo», curto diálogo e perda de comissões de trabalho.

«Eu não sou nem prato velho, nem jarrão para ficar numa prateleira»,

acrescentou, sublinhando que, nas suas palavras, passou a ter um papel limitado que se resumia à atividade de financiamento do grupo através da subvenção parlamentar.

Falta de diálogo com a direção nacional

Antes de formalizar a desvinculação, Miguel Castro aguardou um encontro com o presidente nacional do partido, André Ventura, que não se realizou. Segundo o deputado, Ventura esteve recentemente na Madeira e contactou‑o por mensagem, convidando‑o para iniciativas locais, mas não esclareceu «em que condição» o convidava, uma questão que Castro diz não ter obtido resposta.

«A partir daí, obviamente, se André Ventura não me contactou, eu, que tinha uma decisão para tomar até ao início dos trabalhos dessa sessão legislativa, tive que tomá‑la, em consciência», afirmou o deputado, explicando que o verão foi de reflexão antes de optar pela independência parlamentar.

Impacto na representação parlamentar

O Chega contava com três deputados na Assembleia Legislativa da Madeira, que tem um total de 47 lugares. O partido tem representação regional desde 2023, ano em que elegeu quatro deputados. A saída de Miguel Castro altera a composição do grupo parlamentar do Chega e pode influenciar acordos e votações no plenário.

Ano Deputados do Chega na Madeira
2023 4
2025 3

Declaração sobre o mandato independente

Ao anunciar a mudança de estatuto, Miguel Castro afirmou que, enquanto deputado independente, manterá um compromisso com as causas que entenda defender em nome dos madeirenses. Garantiu que apoiará propostas que considere no interesse da população regional, independentemente da sua origem partidária.

  • Passagem de líder regional a deputado independente: motivada por perda de confiança política.
  • Reclamações de falta de diálogo e perda de comissões no grupo parlamentar.
  • Esperava um encontro com André Ventura que não se concretizou antes da decisão.

A saída do quadro partidário coloca Miguel Castro numa posição de maior autonomia política no plenário regional, mas também implica uma alteração prática nas dinâmicas internas do Chega na Madeira. A região tem acompanhado, desde 2023, a evolução da representação do partido, que já sofreu oscilações entre quatro e três deputados nas últimas eleições.

Fica por apurar que impacto imediato esta decisão terá em votações futuras e nas negociações que envolvam matérias de interesse regional. Até ao momento não foram comunicadas posições oficiais da direção regional do Chega sobre a desvinculação, nem existem sinais públicos de negociações para recompor a disciplina de voto do grupo.

O anúncio sucede a um período de tensões internas descrito pelo próprio deputado, que valorizou a necessidade de agir «em consciência». A continuidade do mandato na Assembleia enquanto independente coloca o foco na intervenção individual de Miguel Castro e na forma como esta se refletirá na governação e nos debates que marcarão a sessão legislativa que agora se aproxima.

Reportagem de Ricardo Freitas Câmara, correspondente na Madeira.

Ricardo Freitas Câmara
Ricardo IA Correspondente na Madeira online

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