O partido Chega na Madeira criticou esta terça-feira a presença do ministro da Administração Interna, Luís Neves, na cerimónia comemorativa do 148.º aniversário do Comando Regional da PSP, realizada no Museu de Imprensa da Madeira, em Câmara de Lobos. Em comunicado, a estrutura regional considerou que a sessão, que devia centrar-se na homenagem aos agentes, foi utilizada pelo governante para dar resposta a polémicas políticas e atacar o partido.
Acusações de instrumentalização política
Para o Chega-Madeira, a intervenção de Luís Neves terá transformado um momento institucional de reconhecimento dos profissionais da polícia num cenário de confrontação política. O líder regional do partido, Hugo Nunes, disse que a cerimónia «deveria servir exclusivamente para condecorar e reconhecer o sacrifício dos homens e mulheres que garantem a segurança dos madeirenses» e acusou o ministro de «cobardemente» aproveitar o evento para lavar «contas políticas».
«Foi cobardemente aproveitada pelo ministro Luís Neves para lavar contas políticas e atacar o Chega»
O comunicado do partido sublinha que, na opinião dos dirigentes locais, o ministro deveria ter apresentado medidas concretas para responder às carências apontadas pela PSP na Região, em vez de recorrer a ataques verbais. Hugo Nunes enumerou questões que considera por resolver, nomeadamente a «grave carência de efetivos», «instalações degradadas», remunerações e falta de meios materiais.
Críticas também vindas do parlamento
Paralelamente, o deputado Francisco Gomes, eleito pelo Chega, fez chegar a sua reprovação através de outro comunicado em que considerou a presença de Luís Neves na Madeira como «uma vergonha» que deveria marcar o «último acto oficial enquanto ministro». Gomes afirmou ser incompreensível manter profissionais destacados no continente quando a própria PSP madeirense carece de efectivos e denunciou alegados abusos laborais locais.
Entre as queixas referidas pelo deputado estão práticas que, segundo o seu comunicado, passam pela utilização frequente de despachos de excepção, imposição de serviços remunerados, desrespeito por folgas e pressões psicológicas sobre agentes. Gomes alerta ainda para o «progressivo abandono do patrulhamento rodoviário e de proximidade» e descreve turnos com capacidade reduzida para assegurar patrulhamento regular das ruas.
Problemas operacionais e impacto na ilha
As críticas centram-se em problemas estruturais que, segundo o Chega, afectam diretamente a capacidade da PSP regional de garantir segurança e proximidade aos cidadãos. O comunicado aponta situações em que menos de cinco agentes ficam responsáveis por áreas que chegam a abranger mais de um terço do território insular, o que, na leitura do partido, evidencia falta de resposta às necessidades locais.
- Carência de efectivos: reclamações sobre falta de pessoal e dificuldade em obter transferências para a Região.
- Condições de trabalho: referências a instalações degradadas e alegadas práticas laborais inadequadas.
- Patrulhamento: redução do patrulhamento de proximidade e rodoviário, segundo o partido.
O Chega-Madeira expressou, porém, solidariedade para com os profissionais do Comando Regional, lamentando que, na sua perspectiva, o prestígio da instituição tenha sido diminuído pela utilização política da sessão solene.
Reacções e ausência de resposta ministerial na Região
Até ao momento da publicação, não foi divulgada qualquer reação oficial por parte do Ministério da Administração Interna na sequência das acusações do Chega. A presença do ministro na cerimónia tinha como objectivo, segundo a agenda oficial do evento, participar nas comemorações do Comando Regional da PSP, mas foi interpretada pela formação política como um gesto de «lavagem» de contornos polémicos que o rodeiam.
| Questões apontadas pelo Chega | Impacto referido |
|---|---|
| Carência de efectivos | Menor capacidade de patrulhamento e sobrecarga de agentes |
| Instalações degradadas | Condições de trabalho inferiores |
| Práticas laborais alegadas | Pressões sobre agentes e sacrifício de folgas |
Na ilha, onde a geografia e a dispersão populacional aumentam a dependência do trabalho local das forças de segurança, estas críticas reacendem o debate sobre a organização do efectivo e a gestão dos recursos humanos. Para muitos madeirenses, a presença do ministro numa cerimónia de homenagem era oportunidade para ouvir respostas concretas a problemas que dizem respeito à segurança quotidiana.
As declarações do Chega e do seu deputado deixam uma marca política e mediática na visita de Luís Neves à Região, colocando em evidência as tensões entre partido e Governo num momento em que a discussão sobre a eficiência e as condições das forças de segurança continua vivamente presente na agenda regional.