Unidade em Braga promete reduzir exportação de resíduos e reforçar cadeia de valor
A cidade de Braga passa a acolher a primeira fábrica em Portugal dedicada à reciclagem de pilhas e baterias de iões de lítio. A unidade, designada b.again e integrada no grupo dst, foi apresentada hoje no âmbito do Electrão Open Day e assume uma capacidade anual instalada de processamento de até 7.000 toneladas.
Segundo os responsáveis da fábrica, a tecnologia adoptada baseia‑se numa trituração mecânica a seco, desenvolvida para operar a baixa temperatura, com pressão controlada e atmosfera inerte, processo que permite alcançar uma recuperação de materiais superior a 95%. A empresa descreve a iniciativa com o lema «transformar o fim em novo começo» e sublinha que a valorização destes resíduos reduz a necessidade de os exportar e mitiga a dependência europeia de matérias‑primas críticas como o lítio e o cobalto.
«As baterias que já temos são também minas, onde podemos recuperar essas matérias‑primas críticas e evitar que se tenha que recorrer tanto à matéria‑prima virgem», afirmou João Gomes, director‑geral da b.again.
Capacidades físicas e operacionais
Além da capacidade anual anunciada, a fábrica dispõe de uma área de armazenamento de 2.000 metros quadrados e de uma capacidade de processamento instantâneo de 500 toneladas. Os responsáveis garantem que o método não implica queima dos materiais, mas sim a sua recuperação e reintegração em cadeias de valor industriais, nomeadamente para a produção de novas baterias ou de outros materiais avançados.
| Característica | Valor |
|---|---|
| Capacidade anual | 7.000 toneladas |
| Processamento instantâneo | 500 toneladas |
| Área de armazenamento | 2.000 m² |
| Recuperação prevista | >95% |
Impacto regional e desafios
Para Braga e para o Norte, a instalação representa um passo significativo na criação de capacidades industriais locais que confrontam uma dependência externa de matérias‑primas críticas. Ao permitir recuperar componentes valiosos dentro do país, a fábrica pode reduzir fluxos de resíduos para o estrangeiro e contribuir para a circularidade de materiais no tecido industrial português e europeu.
Os ganhos anunciados — sobretudo a elevada taxa de recuperação — colocam a unidade como um potencial actor relevante em cadeias de valor associadas à mobilidade eléctrica e a materiais avançados. Contudo, a concretização desses efeitos depende de factores externos, como a integração dos materiais recuperados nas linhas de produção, a logística de recolha e triagem de baterias e a existência de mercados consumidores dispostos a incorporar materiais secundários.
- Redução da necessidade de exportar resíduos para processamento.
- Diminuição da dependência de matérias‑primas importadas (lítio, cobalto).
- Potencial de reintegração de materiais recuperados em novas cadeias industriais.
Durante a apresentação, foi enfatizada a ideia de que baterias fora de uso representam uma «mina» de matérias‑primas, capazes de alimentar novas produções sem recurso à exploração de recursos virgens. A comunicação oficial da b.again sublinha ainda que os materiais recuperados podem ser reinseridos em diferentes sectores industriais — embora a notícia não detalhe parceiros industriais específicos que venham a utilizar a matéria‑prima reciclada.
Localmente, a operação cria também expectativas sobre a dinamização de serviços logísticos, de armazenamento e de apoio técnico, que poderão acompanhar a actividade da fábrica em Braga. Resta saber como se articularão os fluxos de recolha urbana e industrial e de que forma se regulamentará e certificará a cadeia de materiais reciclados para garantir aceitação nos mercados nacionais e internacionais.
A inauguração da b.again coloca Braga na vanguarda de uma área estratégica para a transição energética e para a economia circular, conciliando capacidades industriais com objectivos ambientais e de soberania de matérias‑primas.