O bispo do Funchal, D. Nuno Brás, manifestou inquietação face ao cenário de destruição que encontrou nas zonas do Estado de La Guaira, na Venezuela, afetadas pelos sismos de 24 de Junho, e lançou um apelo aos portugueses para que não se esqueçam das populações atingidas. A visita levou o prelado a percorrer locais onde muitas casas ficaram inutilizáveis e infraestruturas comunitárias sofreram avultados danos.
Percurso pelas zonas mais afetadas
Durante a deslocação, o bispo esteve em localidades do litoral de La Guaira, incluindo Caraballeda, Macuto, Praia Grande e Catia La Mar, onde constatou obras de remoção de escombros e famílias sem condições de habitação. O estado em que encontrou o Seminário de La Guaira, que celebrava agora 50 anos, foi apontado como um dos casos mais marcantes: a biblioteca, a cozinha e a sala de refeições ficaram «completamente destruídas», sem perspetiva de regresso.
«A primeira impressão é que é muito difícil de falar, porque estamos aqui a meio da visita do 'Ground Zero'. Já vimos muitas casas caídas, todas as casas praticamente caídas, comprometidas de qualquer forma»
Apesar do cenário dramático, o bispo destacou o papel activo de voluntários, pela Cáritas e outras organizações no terreno, que têm providenciado apoio alimentar, medicamentos e apoio psicológico e espiritual às comunidades afetadas. Referiu também que, em algumas paróquias, apesar das igrejas não poderem celebrar missa por danos nas fachadas, mantém-se uma intensa atividade de distribuição de bens essenciais.
Um apelo concreto à memória e à solidariedade
D. Nuno Brás apelou à proximidade dos portugueses, sobretudo à oração e à lembrança daqueles que perderam tudo, e pediu contributos quando possível. Salientou que a sensação de destruição não se traduz na ideia de que «a Venezuela está toda destruída», mas avisou que há zonas — exemplificou La Guaira — onde o grau de danos é total.
- Regiões visitadas: Caraballeda, Macuto, Praia Grande, Catia La Mar.
- Local emblemático afetado: Seminário de La Guaira, com instalações destruídas.
- Ação em curso: remoção de escombros e distribuição de ajuda por voluntários e organizações.
O apelo surge num momento em que organizações humanitárias apontam para necessidades massivas: segundo fontes relacionadas, cerca de 200 mil pessoas necessitam de apoio — um dado que contextualiza a dimensão da crise e a urgência da resposta.
Implicações para a comunidade madeirense
Para Funchal e para a comunidade madeirense, muitos dos quais mantêm laços com emigrantes na Venezuela, a visita do prelado reforça a ligação afetiva e religiosa que liga a ilha às diásporas. As paróquias locais e estruturas como a Cáritas da Madeira podem ser chamadas a canalizar ajuda ou a promover iniciativas de solidariedade, ao mesmo tempo que a Igreja acentua a dimensão espiritual do acompanhamento às vítimas.
| Local | Observação |
|---|---|
| Caraballeda | Casas destruídas ou comprometidas; trabalhos de remoção de escombros |
| Macuto | Observação de danos extensos em habitações |
| Praia Grande | Presença de equipas de apoio e voluntariado |
| Catia La Mar | Situação semelhante com habitações afetadas |
| Seminário de La Guaira | Instalações principais destruídas, sem hipóteses de regresso |
O relato do bispo sublinha também o impacto humano imediato: famílias que procuram restos de casas, pessoas à espera de notícias de familiares desaparecidos e o trabalho dos que tentam aliviar a dor com bens essenciais e conforto. Em Funchal, estas imagens trazem de novo à atenção pública a fragilidade das comunidades emigrantes e a importância de manter canais de ajuda e de memória.
Enquanto se aguarda um enquadramento mais vasto de ações concretas por parte de entidades locais, o apelo do bispo reforça uma chamada à solidariedade discreta mas contínua — oração, lembrança e contributos quando possíveis — sinais que, na leitura do prelado, são hoje tão necessários quanto o envio de recursos materiais.