Iniciativa no Mercado Municipal reforça vigilância sobre notas em circulação
O Banco de Portugal realizou, no Mercado Municipal de Bragança, quatro sessões de sensibilização destinadas a ensinar a população a reconhecer notas de euro genuínas e a identificar sinais de contrafação. As ações, gratuitas e abertas ao público, procuraram transformar procedimentos simples em rotinas do quotidiano para consumidores e comerciantes.
A iniciativa centrou-se num método prático, resumido em três passos que permitem uma primeira verificação rápida da autenticidade de uma nota. A formadora do Banco de Portugal, Maria Helena Marques, sublinhou a simplicidade e a acessibilidade das técnicas demonstradas e a necessidade de atenção no momento do pagamento e do troco.
«As pessoas normalmente chamam falsas, o nome correto é uma nota contrafeita»,
afirmou a responsável, lembrando que, apesar de a contrafação ser um fenómeno residual, é importante que os cidadãos tenham conhecimentos básicos para detetar uma nota suspeita.
Do ensino prático ao impacto local
As sessões decorreram no coração de um espaço onde a circulação de numerário é diária e intensa: os talhos, peixarias, bancas de fruta e estabelecimentos de restauração do mercado estão, por natureza, mais expostos a trocas frequentes. A formação visou precisamente esse público — comerciantes e clientes — mas também procurou contrariar a ideia de que a identificação de notas contrafeitas é uma competência exclusiva das gerações mais velhas.
Maria Helena Marques salientou que mesmo os mais jovens podem ter dificuldade em identificar elementos de segurança nas notas, mas enfatizou que se trata de um saber que «nada que não se aprenda». A mensagem central da ação foi clara: a observação atenta do dinheiro recebido pode evitar prejuízos e reduzir a circulação de notas suspeitas.
- Local: Mercado Municipal de Bragança
- Responsável pela formação: Maria Helena Marques (Banco de Portugal)
- Formato: quatro sessões gratuitas e abertas ao público
- Objetivo: ensinar a identificar notas de euro genuínas e sinais de contrafação
Os três passos práticos
Durante as sessões foi explicado um método direto que permite ao cidadão avaliar, num primeiro contacto, se uma nota merece uma verificação mais aprofundada. A técnicas demonstradas foram agrupadas em três ações simples:
| Passo | O que verificar |
|---|---|
| Tocar | Textura e relevo dos elementos impressos |
| Observar | Elementos visíveis de segurança, como marca d'água e fio de segurança |
| Inclinar | Alterações de cor e efeitos ópticos das janelas e hologramas |
Segundo a formadora, estes verificadores são rápidos e adaptáveis aos contextos do dia a dia, desde uma banca de legumes até ao atendimento de um restaurante. A utilização rotineira destes passos diminuirá a probabilidade de receção ou aceitação de notas suspeitas.
Consequências e recomendação às entidades locais
Para Bragança, uma cidade com um comércio local ativo e um mercado municipal como pólo de interação diária entre produtores e consumidores, a capacitação da população é também uma medida preventiva contra fraudes de pequena escala que afetam sobretudo micro e pequenos empresários. A reprodução destas sessões por associações comerciais, juntas de freguesia ou pela própria câmara municipal pode potenciar a cobertura e garantir que a mensagem chegue aos profissionais mais expostos.
O Banco de Portugal tomou a iniciativa em Bragança com um claro propósito educativo: transformar a perceção sobre as notas, que muitas vezes «são autênticas obras de arte» mas raramente observadas com esse olhar, em competências práticas que protejam o bolso dos cidadãos e a atividade económica local.
Os participantes saíram das sessões com uma noção prática mais clara e com ferramentas que podem reduzir riscos no quotidiano financeiro da cidade.