Entre Janeiro e Junho de 2026 verificou-se uma inversão nas tendências do parque automóvel dos residentes na Madeira: a circulação do mercado de usados acelerou, enquanto as aquisições de veículos novos recuaram. São dados divulgados hoje pela Direção Regional de Estatística da Madeira (DREM) que traduzem mudanças de comportamento dos residentes e impactos potenciais para empresas de rent-a-car e concessionárias.
Transferências de usados aumentam, novos em queda
As Conservatórias da Região registaram, no primeiro semestre, a transferência de propriedade de 8.277 veículos automóveis usados, mais 229 do que no período homólogo de 2025 — um crescimento homólogo de 2,8%. A esmagadora maioria dos veículos transferidos era do tipo ligeiro de passageiros, representando 86,9% do total; os ligeiros de mercadorias corresponderam a 12,1% e os veículos pesados foram apenas 77 unidades (cerca de 0,9% do total).
Em termos trimestrais, o movimento manteve-se: no segundo trimestre houve um aumento de 1,5% nas transferências face ao mesmo período do ano anterior. Em paralelo, a compra de veículos novos por residentes apresentou um recuo significativo. Segundo dados da ACAP recolhidos junto do Instituto dos Registos e do Notariado, foram registados 2.752 veículos novos nos primeiros seis meses de 2026, menos 275 em comparação com o período homólogo, o que traduz uma diminuição de 9,1%.
Redução acentuada no 2.º trimestre
O segundo trimestre reforça a tendência de descenso para os novos: entre Abril e Junho foram adquiridos 1.388 veículos novos, menos 159 do que no 2.º trimestre de 2025, correspondente a uma queda de 10,3%. A DREM chama a atenção que estes indicadores referem-se às aquisições realizadas por entidades residentes na Região — incluindo empresas de rent-a-car — e não correspondem diretamente às vendas efetuadas pelas concessionárias locais.
Transportes coletivos com procura em alta
No capítulo dos transportes coletivos rodoviários, a tendência foi contrária à do mercado de viaturas novas: os autocarros transportaram 13,8 milhões de passageiros no primeiro semestre, um aumento homólogo de 7,1%. As carreiras urbanas foram as que mais contribuíram, com 9,1 milhões de passageiros e um crescimento de 10,9%, enquanto as carreiras interurbanas registaram 4,6 milhões de passageiros, um aumento mais moderado de 0,4%.
O reforço da procura por transporte coletivo urbano pode refletir vários fatores convergentes: alterações no custo de vida, estratégias das empresas de mobilidade, políticas públicas e hábitos de deslocação dos residentes, sobretudo nos centros urbanos. Para operadores e autarquias, o aumento de passageiros coloca desafios logísticos e oportunidades de revisão de frequência e oferta.
Teleféricos: quebra associada a manutenção
Em contraste, os teleféricos registaram uma quebra acentuada na venda de bilhetes. Entre Janeiro e Junho foram vendidos 487,8 mil bilhetes, e a DREM indica que esta redução se deve, em larga medida, a operações de manutenção que afetaram a disponibilidade dos serviços. A diminuição de passageiros nos teleféricos tem implicações tanto para o turismo interno como para os residentes que utilizam estes meios para deslocações rotineiras em áreas de maior declive.
- Veículos usados (Jan–Jun 2026): 8.277 (↑ 2,8% homólogo)
- Veículos novos (Jan–Jun 2026): 2.752 (↓ 9,1% homólogo)
- Passageiros de autocarro: 13,8 milhões (↑ 7,1% homólogo)
- Bilhetes de teleférico: 487,8 mil (queda associada a manutenção)
| Indicador | Valor (Jan–Jun 2026) | Variação homóloga |
|---|---|---|
| Transferências de usados | 8.277 | +2,8% |
| Veículos novos registados | 2.752 | -9,1% |
| Passageiros de autocarro | 13,8 milhões | +7,1% |
| Bilhetes de teleférico | 487,8 mil | Queda marcada por manutenção |
Para residentes e turistas, estas variações têm impacto direto: o mercado de usados mais dinâmico pode tornar o acesso a viaturas mais barato ou diversificado, enquanto a queda nas aquisições de novos pode afetar o fluxo económico nas concessionárias e a atualização da frota. No transporte coletivo, o aumento de passageiros exige resposta em termos de capacidade e qualidade do serviço.
Na ilha, onde o clima e a geografia moldam as opções de mobilidade, a interdependência entre parques automóvel, transportes públicos e infraestruturas como teleféricos continua a ser determinante para a mobilidade quotidiana. Os próximos boletins da DREM e os relatórios das entidades do setor serão seguidos de perto por operadores, autarquias e residentes, à procura de sinais sobre a sustentabilidade destas tendências ao longo de 2026.
Relatório da DREM e dados da ACAP/Instituto dos Registos e do Notariado constituem a base estatística hoje tornada pública.