A empresa brasileira Atta3D lançou o Atta Ultra, uma experiência digital que transforma empreendimentos em projeto em ambientes digitais exploráveis, permitindo que potenciais compradores naveguem livremente pelos espaços antes do início das obras. A solução utiliza tecnologias originalmente desenvolvidas para a indústria de games para oferecer um nível de interação além de vídeos ou tours em 360 graus.
O que a nova ferramenta oferece
Segundo a Atta3D, o usuário deixa de ser espectador e passa a conduzir a experiência. Entre as funcionalidades destacadas estão a possibilidade de:
- caminhar pelos ambientes e mudar o ponto de vista;
- conhecer áreas comuns e analisar a implantação do empreendimento;
- visualizar a incidência solar em diferentes épocas do ano;
- ver cortes da planta e conferir a vista correspondente a cada unidade;
- entender circulação e conexão entre ambientes, aspectos que nem sempre ficam claros em uma planta baixa.
"O usuário deixa de ser apenas um espectador e passa a conduzir a experiência, explorando os espaços de acordo com os seus interesses e com as suas principais dúvidas", afirmou Guilherme Carnevale, CEO da Atta3D.
Diferença prática em relação a outras apresentações
Ferramentas tradicionais, como vídeos institucionais e tours em 360 graus, costumam seguir roteiros fixos ou limitar o usuário a pontos predefinidos. O Atta Ultra propõe uma liberdade de navegação que pode facilitar a compreensão de dimensões e da circulação interna dos apartamentos, além de permitir a checagem de detalhes que influenciam decisões de compra — por exemplo, a orientação solar de cada unidade e a vista real associada a sua posição.
| Recurso | O que permite |
|---|---|
| Exploração livre | Usuário caminha e muda o ponto de vista conforme dúvidas |
| Incidência solar | Visualizar orientação em diferentes épocas do ano |
| Vista por unidade | Conferir a paisagem que corresponde a cada posição do imóvel |
Impactos e riscos a considerar
A incorporação de tecnologia de games ao mercado imobiliário traz ganhos claros para a apresentação de projetos e para a experiência do comprador, mas também levanta pontos que precisam ser avaliados por incorporadoras, corretores e consumidores. Entre as consequências previsíveis estão:
- Melhor compreensão espacial: a navegação livre tende a reduzir a lacuna entre uma planta técnica e a vivência real do espaço, facilitando decisões de compra.
- Mudança nas estratégias de marketing: incorporadoras podem adotar experiências interativas como parte central da divulgação, o que exige investimento em modelagem e manutenção digital.
- Expectativa versus realidade: há o risco de que a experiência virtual gere expectativas sobre acabamentos, iluminação e escala que só serão confirmadas após a construção; é necessário cuidado na comunicação para evitar mal-entendidos com compradores.
Além disso, a adoção dessa tecnologia exige que empresas considerem aspectos práticos, como o custo de produção das maquetes digitais, a integração dos dados de projeto à plataforma e o treinamento de equipes de vendas para orientar clientes na experiência virtual. Do ponto de vista do consumidor, manter clareza sobre o que é representação digital e o que será entregue fisicamente continua sendo fundamental.
O futuro da apresentação de imóveis
A utilização de engines e técnicas da indústria de games para criar ambientes navegáveis já é tendência em diversos mercados globais. No contexto brasileiro, ferramentas como o Atta Ultra podem acelerar a digitalização das etapas de pré-venda e tornar as visitas virtuais parte rotineira dos processos comerciais. Ainda que não substituam completamente a visita física, essas experiências têm potencial para reduzir incertezas, otimizar tempo de clientes e construtores e transformar o relacionamento entre incorporadoras e compradores.
Resta às empresas e aos consumidores equacionar benefícios e limites dessa tecnologia: aproveitar a capacidade de visualização sem perder de vista a necessidade de transparência sobre o que a maquete virtual representa no produto final.