O Parque Ibirapuera passa a funcionar como um grande laboratório de interações entre tecnologia, mercado e práticas culturais com a estreia do São Paulo Beyond Business (SP2B), que permanece em cartaz até 16 de agosto em São Paulo. Idealizado por Rafael Lazarini, fundador da Da20, o festival propõe articular debates sobre inteligência artificial, longevidade, o futuro do trabalho, saúde, economia criativa e entretenimento em espaços como a Oca, Bienal, Planetário, Auditório Ibirapuera, Museu Afro Brasil e o Pavilhão de Convenções.
Escala e ambição internacional
A primeira edição do SP2B chega com números expressivos: mais de 750 painéis, cerca de 2 mil palestrantes e mais de 20 palcos distribuídos pelo parque. A programação combina tecnologia de ponta — incluindo inteligência artificial e computação quântica — com temas que vão da biotecnologia à moda e identidade, numa tentativa de integrar produção cultural e oportunidades de negócio.
| Item | Quantidade |
|---|---|
| Painéis | 750+ |
| Palestrantes | ~2.000 |
| Palcos | 20+ |
A curadoria incorpora referências externas: o programador Hugh Forrest, ligado ao festival SXSW de Austin por mais de três décadas, participa da estrutura do SP2B. A presença de nomes com experiência internacional sinaliza a intenção de colocar São Paulo em circuito global de inovação e cultura, ao mesmo tempo em que busca estimular conexões entre empresas, startups e iniciativas culturais.
Ecossistema de negócios e intercâmbio
O festival inclui também iniciativas de promoção ao empreendedorismo internacional. O programa ScaleUp inBrazil leva ao evento 20 startups de países como Israel, Japão e Finlândia, com atuação em áreas como IA, deep tech, climate tech, healthtech, cibersegurança e infraestrutura digital. Essas empresas têm encontros previstos com investidores, fundos e potenciais parceiros brasileiros, reforçando o caráter híbrido do SP2B: não apenas um palco de discussões, mas um ambiente para negociação e formação de parcerias.
- Integração entre tecnologia e cultura em espaços públicos do parque;
- Conexão entre startups internacionais e mercado brasileiro via ScaleUp inBrazil;
- Programação diversa que atravessa ciência, saúde, moda, mobilidade e entretenimento.
Abertura e programação cultural
A cerimônia de abertura, realizada no domingo (9), já antecipou a porosidade entre linguagens que o festival pretende estimular. A atriz Alice Braga participou da abertura ao lado da psicóloga Esther Perel, num recorte que mescla debates sobre comportamento com a presença de nomes da música. Bandas consagradas como os Titãs integram a programação musical inaugural, evidenciando a aposta do evento em cruzar segmentos culturais com conteúdos aplicáveis ao mercado e à inovação social.
“A Nova Lógica do Empreendedorismo”
Esse lema, adotado como tema de estreia, desloca o foco do discurso sobre startups para uma concepção mais ampla de empreendedorismo, que inclui micro e pequenas empresas, grandes corporações e iniciativas de impacto. Através dessa perspectiva, o SP2B tenta abrir espaço para diálogos sobre como modelos de negócio e práticas culturais podem ser reinventados em contextos urbanos e tecnológicos em rápida transformação.
Impactos e desafios
A dimensão do festival e sua ocupação de equipamentos públicos no Ibirapuera colocam questões práticas e simbólicas: como articular circulação de público e negócios sem comprometer o uso cotidiano do parque? De que forma políticas públicas, agentes culturais e o setor privado irão capitalizar as conexões geradas durante a semana do evento? Programações dessa escala podem estimular ecossistemas locais, atrair investimentos e fomentar parcerias transnacionais, mas também demandam articulação logística e política para garantir acesso, diversidade de vozes e legado cultural.
Ao reunir ciência, economia criativa e entretenimento em um único ecossistema, o SP2B propõe um experimento de convivência entre saberes e práticas. Resta observar como as conversas se traduzirão em projetos concretos, especialmente para atores fora dos grandes centros de decisão. O evento, em sua ambição, mostra o caminho — e os desafios — de pensar a cidade e seus espaços culturais como territórios ativos de inovação.