Tomou posse nesta terça-feira no Senado o deputado estadual e sargento da reserva do Corpo de Bombeiros do Ceará Sargento Reginauro (PSDB-CE), que assume temporariamente a vaga do senador Eduardo Girão (Novo-CE), que se licenciou do cargo por quatro meses.
Prioridades anunciadas no primeiro discurso
Em seu pronunciamento inaugural, Reginauro afirmou que chega ao Parlamento motivado pela trajetória de luta classista e pela defesa dos direitos da categoria dos bombeiros, sua origem profissional. O novo senador indicou que a segurança pública será um dos temas centrais de sua atuação e pediu esforço conjunto das instituições para enfrentar o crime organizado, que, segundo ele, tem transformado a vida cotidiana em situação de risco.
"Como um paciente oncológico que já venceu três batalhas contra o câncer, vou lembrar ao Brasil, lembrar a esta Casa, lembrar aos governantes: nós temos em vigor, no Brasil, a Lei dos 60 dias. O paciente precisa ter acesso ao início do tratamento em 60 dias, porque câncer não espera"
Reginauro também destacou o compromisso com os direitos de pessoas com câncer. Ele defendeu que parlamentares cobrem a aplicação da Lei nº 12.732/2012, que prevê o início do tratamento oncológico no Sistema Único de Saúde (SUS) em até 60 dias a partir do laudo patológico.
Trajetória pública e perfil
Natural de Fortaleza, com 53 anos, Reginauro Sousa Nascimento ocupava cadeira na Assembleia Legislativa do Ceará até a posse no Senado. Sua carreira pública começou na Câmara Municipal de Fortaleza, onde foi eleito vereador antes de chegar à Assembleia (legislatura 2021–2024). Além da carreira política, tem formação acadêmica em educação, atuou como professor e tem experiência nas artes cênicas como ator, diretor teatral e dramaturgo.
| Item | Informação |
|---|---|
| Idade | 53 anos |
| Origem | Fortaleza (CE) |
| Cargo atual | Senador (PSDB-CE) — suplente |
| Formação/Atividades | Professor, mestre em educação, bombeiro da reserva, ator e diretor teatral |
Saúde pública e expectativa de atuação
Ao enfatizar a Lei dos 60 dias, o parlamentar colocou no centro da agenda a discussão sobre o funcionamento do SUS no tratamento oncológico. Reginauro afirmou que o país precisa cumprir o prazo legal para iniciar terapias contra o câncer e alertou para a pressa que a doença exige. Também apontou que, em sua avaliação, há insuficiências no sistema de saúde pública para atender integralmente esses pacientes.
Especialistas e representantes de associações de pacientes costumam lembrar que, além da regulamentação, há desafios operacionais e de financiamento para assegurar prazos e acesso a medicamentos e procedimentos. A entrada de um senador com experiência pessoal como paciente pode dar visibilidade política a demandas históricas do setor.
Contexto cearense: segurança, clima e comunidades
A agenda anunciada pelo novo parlamentar se insere em um cenário regional marcado por desafios na segurança pública, bem como por questões socioambientais que afetam comunidades do interior do Ceará. A atuação de representantes do estado no Congresso federal costuma dialogar com demandas locais por investimentos em políticas de prevenção, infraestrutura e apoio a populações rurais que enfrentam, em muitos casos, eventos climáticos extremos.
Ao mesmo tempo, o Ceará tem se destacado por avanços em energia limpa nos últimos anos, o que influencia políticas de desenvolvimento e oportunidades econômicas. A interlocução entre bancada federal e gestores estaduais é um canal importante para que essas pautas — segurança, saúde e desenvolvimento sustentável — sejam consideradas em propostas legislativas e em articulações com o Executivo.
Repercussão e próximos passos
- Reginauro assume a vaga durante licença de quatro meses de Eduardo Girão, até 8 de dezembro.
- O senador declarou intenção de priorizar segurança pública e direitos de pacientes oncológicos.
- O foco na Lei dos 60 dias coloca o tema da oncologia pública entre suas primeiras pautas no Senado.
Com a posse, caberá ao novo senador articular projetos, debates e proposições no Senado enquanto durar a licença do titular. A expectativa nas ruas e em segmentos organizados do Ceará é de que a representatividade seja traduzida em iniciativas concretas que, além de enfrentar a criminalidade, tragam respostas efetivas para a pressão sobre o sistema de saúde no atendimento ao câncer.
Do interior do estado chegam sempre vozes que pedem atenção às especificidades locais — estradas, abastecimento de água, acesso a serviços de saúde e segurança pública — demandas que, em Brasília, dependem da ação articulada de parlamentares que conheçam a realidade cearense.
Como correspondente no Ceará, acompanho a transição e a recepção da nova representação no Senado, ouvido lideranças e comunidades para mapear prioridades e o impacto prático das promessas feitas na posse.