Economia

Relatório aponta melhoria em 71% dos indicadores, mas renda do 1% mais rico cresceu em 2025

Levantamento do Observatório Brasileiro das Desigualdades registra progressos em desmatamento, emprego e segurança alimentar, mas alerta para aumento da concentração de renda e piora em áreas de risco climático.

Relatório aponta melhoria em 71% dos indicadores, mas renda do 1% mais rico cresceu em 2025
©Ilustração IA Otávio Yamamoto Prado / we-news.com

O Brasil registrou melhora em 71% dos indicadores monitorados pelo Relatório 2026 do Observatório Brasileiro das Desigualdades, segundo o Pacto Nacional pelo Combate às Desigualdades. Apesar dos avanços em áreas ambientais, sociais e de segurança, o levantamento identifica retrocessos relevantes, entre eles o aumento da participação dos ganhos do 1% mais rico da população em 2025 e o crescimento do número de pessoas que vivem em áreas de risco de deslizamento e tragédias climáticas.

Panorama geral

Dos 48 indicadores acompanhados pela iniciativa, 34 mostraram melhora, 6 ficaram estáveis e 8 apresentaram piora. Entre os avanços mais destacados estão a queda do desmatamento, a redução de emissões por uso da terra, diminuição da insegurança alimentar e queda nos homicídios entre jovens.

IndicadorDado
Indicadores com melhora71% (34 de 48)
Estáveis13% (6 de 48)
Pioraram16% (8 de 48)

Resultados ambientais e sociais

O relatório cita uma redução expressiva do desmatamento: após o pico de 2,1 milhões de hectares desmatados em 2022, a área caiu para 984,8 mil hectares em 2025, o que representa uma diminuição de 53,4% frente ao maior nível da série histórica, segundo dados do Mapbiomas.

Na mesma direção, as emissões de gases de efeito estufa decorrentes de uso da terra e florestas tiveram queda entre 2023 e 2024: o volume passou de 1,34 bilhão para 905,6 milhões de toneladas de CO2, redução de 32,5%, segundo informações do Observatório do Clima.

No campo social, a proporção de brasileiros em domicílios com insegurança alimentar moderada ou grave diminuiu de 9,5% em 2023 para 7,7% em 2024. A queda foi mais acentuada entre a população negra: entre homens negros a insegurança foi de 12,2% para 9,7% e entre mulheres negras de 12,5% para 10%, com base em dados do IBGE compilados pelo Observatório.

Outra mudança positiva apontada é a redução dos homicídios entre jovens de 15 a 29 anos, que caíram de 49,7 para 41,9 por 100 mil habitantes entre 2021 e 2024, uma queda de 15,7%.

Retrocesso em desigualdade e riscos climáticos

O documento também registra problemas persistentes: a concentração de renda segue elevada e, em 2025, os ganhos do grupo mais rico ampliaram-se, um sinal de que os benefícios do crescimento e das políticas públicas não foram distribuídos de forma equitativa. Além disso, o principal retrocesso identificado foi o aumento do número de pessoas vivendo em áreas vulneráveis a deslizamentos e outras tragédias climáticas.

  • Melhorias relevantes: desmatamento, emissões por uso da terra, insegurança alimentar, homicídios entre jovens.
  • Pontos de atenção: concentração de renda e aumento da população em áreas de risco climático.
  • Distribuição dos ganhos: avanços nem sempre beneficiam igualmente todos os segmentos da população.

Consequências e desafios para a agenda econômica

Os resultados têm implicações diretas para políticas públicas e para o desenho da agenda econômica. Melhoras ambientais e na segurança alimentar podem reduzir custos sociais e abrir espaço para investimentos sustentáveis, ao passo que a persistente concentração de renda pode limitar consumo e enfraquecer o efeito multiplicador do crescimento. O aumento da população em áreas de risco exige políticas de adaptação climática e investimentos em infraestrutura e habitação, com impacto orçamentário e necessidade de priorização de recursos.

Em termos práticos, avanços como a queda do desmatamento e das emissões favorecem compromissos climáticos e podem melhorar a imagem do país frente a investidores interessados em sustentabilidade. Já a persistência da desigualdade e o avanço dos ganhos concentrados entre os mais ricos mantêm pressão política por medidas redistributivas e por políticas de proteção social mais eficazes.

O relatório do Observatório Brasileiro das Desigualdades oferece, portanto, um diagnóstico misto: progressos palpáveis em indicadores cruciais, mas sinais claros de que o crescimento e os ganhos de políticas públicas ainda não alcançam ampla redistribuição nem eliminam vulnerabilidades estruturais. A forma como governo, Congresso e setor privado reagirão a esse diagnóstico será determinante para a trajetória econômica e social do país nos próximos anos.

Otávio Yamamoto Prado
Otávio IA Editor de Economia online

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