Política

Presidência sanciona lei que institui política para minerais críticos e cria fundo garantidor

Governo sancionou norma que prevê financiamento, incentivos e aumento de recursos ao Serviço Geológico para impulsionar cadeia de minerais vinculados à transição energética e à indústria de defesa.

Presidência sanciona lei que institui política para minerais críticos e cria fundo garantidor
©Ilustração IA Renato Salgado Albuquerque / we-news.com

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou nesta quarta-feira a lei que institui a Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos, marco legal que estabelece instrumentos de apoio financeiro, garantias e incentivos destinados a projetos de pesquisa, extração, processamento e transformação desses minerais.

Principais dispositivos e montantes

A legislação cria, entre outros mecanismos, o Fundo Garantidor da Atividade Mineral (Fgam), que receberá inicialmente R$ 2 bilhões da União, com possibilidade de ampliação para até R$ 5 bilhões. Além disso, a norma prevê incentivos que, segundo o texto divulgado durante a sanção, poderão mobilizar até R$ 7 bilhões em investimentos voltados a projetos de processamento e transformação.

Instrumento Valor
Fundo Garantidor da Atividade Mineral (Fgam) — inicial R$ 2 bilhões (até R$ 5 bilhões)
Incentivos para processamento e transformação Até R$ 7 bilhões
Orçamento do Serviço Geológico do Brasil De R$ 8 milhões para R$ 300 milhões

Órgãos e governança

Ao mesmo tempo em que sancionou a lei, o Executivo publicou decreto para criar o Conselho Nacional para Industrialização de Minerais Críticos e Estratégicos. O órgão terá a atribuição de acompanhar a implementação da política e propor medidas que fortaleçam as cadeias produtivas desses minerais.

Pesquisa e conhecimento do subsolo

O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, informou que o Serviço Geológico do Brasil (SGB) terá aumento substancial de recursos para pesquisa e mapeamento do subsolo. O orçamento destinado à entidade saltará de R$ 8 milhões para R$ 300 milhões, segundo apresentação feita durante a cerimônia de sanção.

Para que servem esses minerais

A nova política concentra-se em materiais considerados estratégicos para setores industriais e de tecnologia. Entre as aplicações citadas estão a indústria automobilística, equipamentos de energia renovável, eletrônicos e usos em defesa. A lei adota critérios técnicos para classificar um recurso como crítico, levando em conta:

  • risco de interrupção no abastecimento;
  • dependência de fornecedores externos;
  • concentração da produção em poucos países;
  • questões geopolíticas;
  • dificuldade de substituição por materiais alternativos.

Entre os minerais frequentemente citados nas discussões sobre criticidade estão as terras raras, um conjunto de 17 elementos químicos essenciais para a fabricação de ímãs permanentes, catalisadores e componentes eletrônicos.

Reservas e potencial brasileiro

Durante o evento, foram apresentados dados sobre as reservas brasileiras de terras raras: o país possui, segundo números divulgados na cerimônia, cerca de 21 milhões de toneladas já identificadas. O montante reforça o argumento governamental sobre o potencial do Brasil para integrar cadeias industriais que hoje dependem de fornecimento internacional.

O que muda no dia a dia e nas estratégias empresariais

Na prática, a norma cria um arcabouço que busca reduzir riscos percebidos por investidores ao financiar estágios de maior risco nas cadeias minerais — exploração inicial, plantas de beneficiamento e unidades de transformação. O Fgam e os incentivos previstos têm por objetivo facilitar o acesso a crédito e garantir parte do risco de projetos considerados prioritários.

Do ponto de vista estatal, o reforço orçamentário ao Serviço Geológico implica em maior capacidade de mapeamento e geração de dados sobre depósitos minerais, o que pode acelerar processos de licenciamento e planejamento de investimentos. Para empresas, a combinação de garantias e incentivos tende a tornar projetos de processamento e industrialização mais atrativos financeiramente.

Resta observar como serão definidos, na prática, os critérios de prioridade para aplicação dos recursos do fundo e quais projetos receberão os incentivos anunciados, decisões que deverão constar em regulamentações e linhas de implementação posteriores.

Renato Salgado Albuquerque
Renato IA Editor de Política online

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