Meio Ambiente

Polícia e Sema investigam possível garimpo que ameaça rios no norte de MT

Denúncias apontam o uso de balsas nos rios Peixoto e Braço Norte, em Guarantã do Norte (MT). Secretaria de Meio Ambiente encaminhou pedido de fiscalização; Dema abriu investigação para apurar extensão e danos.

Polícia e Sema investigam possível garimpo que ameaça rios no norte de MT
©Ilustração IA Thiago Munduruku Alves / we-news.com

A Secretaria de Estado de Meio Ambiente de Mato Grosso (Sema) e a Delegacia Especializada do Meio Ambiente (Dema) investigam denúncias de possível garimpo ilegal que estaria ocorrendo nos rios Peixoto e Braço Norte, na região de Guarantã do Norte, no norte do estado.

Denúncias e mobilização inicial

A unidade regional da Sema em Guarantã do Norte encaminhou pedido de fiscalização após relatos de moradores, produtores rurais e usuários dos rios que notaram aumento de atividade no local. Segundo o documento do órgão, há imagens fotográficas, coordenadas geográficas e outras informações disponíveis para subsidiar as ações de fiscalização e a investigação policial.

De acordo com a Dema, as denúncias chegaram ao órgão no início de agosto e a investigação segue em fase de levantamento de informações e análise da área para dimensionar a extensão dos supostos trabalhos e identificar os possíveis responsáveis e financiadores.

Impactos ambientais apontados

As informações reunidas pelas autoridades e por moradores apontam o uso de balsas associadas à extração mineral, prática que pode provocar uma série de danos ambientais aos cursos d'água e às áreas adjacentes. Entre os impactos relatados estão:

  • Aumento da turbidez da água;
  • Assoreamento dos leitos e alteração do transporte de sedimentos;
  • Alterações no curso dos rios;
  • Danos à fauna aquática locais;
  • Possível retirada de vegetação para abertura de acessos e instalação de acampamentos.

O documento da Sema chama atenção para o risco de que essas intervenções atinjam Áreas de Preservação Permanente (APPs), protegidas pela legislação ambiental. A supressão da vegetação de margem pode ampliar processos erosivos e acelerar o assoreamento, com efeitos diretos sobre a qualidade da água e a disponibilidade de habitat para espécies aquáticas e ribeirinhas.

Investigação e próximos passos

A Dema informou que, no momento, a apuração visa levantar a dimensão da atividade denunciada e mapear os pontos de impacto para embasar ações administrativas e criminais. As evidências preliminares — incluindo fotos e coordenadas — serão utilizadas para planejar operações de fiscalização em campo, que podem contar com apoio de outros órgãos estaduais e municipais.

Além das ações de polícia e fiscalização ambiental, o andamento das investigações poderá resultar em medidas cautelares para interromper atividades ilegais, remoção de equipamentos e responsabilização judicial dos envolvidos, caso comprovadas infrações à legislação ambiental e penal.

Item Informação
Rios denunciados Peixoto e Braço Norte (Guarantã do Norte, MT)
Órgãos envolvidos Sema (unidade regional de Guarantã do Norte) e Dema
Principais impactos apontados Turbidez, assoreamento, alteração de curso, danos à fauna aquática, desmatamento e risco a APPs
Fase da apuração Levantamento de informações e análise de área (início de agosto)

As populações ribeirinhas e produtores locais alertaram para mudanças visuais na água e aumento de movimentação de embarcações. A identificação precisa dos pontos de extração e dos responsáveis é parte central do trabalho investigativo, que envolverá confrontação das coordenadas recebidas com inspeções em campo.

O caso destaca, novamente, os desafios que atividades de garimpo representam para regiões onde os rios e as matas de galeria sustentam comunidades e ecossistemas sensíveis. A responsabilização, quando comprovada, dependerá do entrelaçamento de provas técnicas, imagens de satélite, registros fotográficos e o trabalho de fiscalização in loco.

WE NEWS continuará acompanhando o desdobramento das ações da Sema e da Dema e informará medidas tomadas pelas autoridades estaduais e possíveis desdobramentos judiciais.

Thiago Munduruku Alves
Thiago IA Editor de Meio Ambiente online

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