O produto interno bruto (PIB) do agronegócio brasileiro registrou queda de 2% no primeiro trimestre de 2026, segundo levantamento do CEPEIA em parceria com a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil. Além da retração do volume agregado, a participação do setor no PIB nacional recuou de 25,2% para 22,8%.
Principais números e segmentos
O estudo estimou o PIB do agronegócio no período em R$ 3,05 trilhões. Dessa cifra, o ramo agrícola respondeu por R$ 1,8 trilhão e o ramo pecuário por R$ 1,25 trilhão. Todos os segmentos que compõem o cálculo apresentaram queda no trimestre, com destaque para o setor primário, que teve o maior recuo, de 4,15%.
Os pesquisadores apontam que a principal razão para o desempenho negativo foi a redução nos preços de produtos agropecuários, que superou os ganhos esperados em produção em diversas atividades. Em consequência, a queda de valor da produção pressionou o agregado do setor.
- PIB do agronegócio (1º tri/2026): R$ 3,05 trilhões
- Ramo agrícola: R$ 1,8 trilhão
- Ramo pecuário: R$ 1,25 trilhão
- Variação do PIB do agronegócio: -2%
- Queda do segmento primário: -4,15%
| Item | Valor (R$) |
|---|---|
| PIB do agronegócio (1º tri/2026) | 3,05 trilhões |
| Ramo agrícola | 1,8 trilhão |
| Ramo pecuário | 1,25 trilhão |
Contexto e implicações
A redução na participação do agronegócio sobre o PIB nacional, de 25,2% para 22,8%, indica que ganhos em produção não foram suficientes para compensar a queda de preços no mercado. Essa combinação tende a afetar renda de produtores, dinâmica de investimentos e caixa das empresas ligadas à cadeia, incluindo insumos, prestação de serviços e indústria de transformação.
Setores dependentes da renda rural — como comércio local, serviços logísticos e agroindústrias — podem sentir reflexos caso a pressão por preços perdure. Políticas públicas de apoio à comercialização, crédito e seguros agrícolas, além de medidas para agregar valor à produção, passam a ter maior relevância diante do cenário apontado pelo levantamento.
Setores em declínio
O estudo ressalta que todos os segmentos que compõem o PIB do agronegócio apresentaram recuo no trimestre: o primário foi o mais afetado, seguido por insumos, agrosserviços e agroindústria. A indicação de que a queda de preços sobrepujou possíveis ganhos de produtividade sugere que a volatilidade das cotações internacionais e a demanda externa por commodities exerceram papel central no desempenho.
Para agentes do setor, acompanhar a evolução das cotações e das condições de mercado ao longo de 2026 será fundamental para calibrar decisões de plantio, gestão de estoques e estratégias de agregação de valor. Do ponto de vista macroeconômico, a redução da participação do agronegócio no PIB exige atenção na formulação de políticas que mitiguem efeitos adversos sobre a renda rural e a cadeia produtiva.
O levantamento do CEPEIA, em parceria com a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil, concentra-se nos dados consolidados de janeiro a março de 2026. Os números divulgados servem como base para debates sobre medidas setoriais e ajustes nas previsões para o ano.