O Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil no segundo trimestre de 2026 deve apresentar sinais claros de desaceleração, segundo projeções do mercado à espera da divulgação oficial do IBGE, prevista para esta terça-feira, 1º. A expectativa é de que o ritmo de atividade recue na margem, complicando as perspectivas para o resultado anual.
Projeções e leitura do mercado
Na mediana das previsões do Focus, do Banco Central, o crescimento acumulado do ano está em torno de 1,95%. Para o segundo trimestre especificamente, analistas consultados pelo mercado apostam em uma expansão bem mais moderada do que a observada nos meses anteriores: estimativas centrais indicam crescimento entre 0,4% e 0,5% em relação ao primeiro trimestre.
O número do primeiro trimestre serviu como referência: o PIB avançou 1,1%, impulsionado principalmente por segmentos como agropecuária e indústria extrativa. A desaceleração esperada para o segundo trimestre ocorre em um contexto de juros elevados em termos reais, perda de tração no mercado de trabalho e aumento do endividamento das famílias.
O que dizem os economistas
Leonardo Costa, economista do Asa, projeta crescimento de 0,5% para o segundo trimestre e mantém uma previsão de 2,0% para o ano de 2026. Ele observa, contudo, que o resultado deverá confirmar uma perda de ritmo no curto prazo.
“Apesar de ainda apontar expansão da atividade, o resultado deve confirmar um esfriamento na margem, consistente com a perda de tração observada ao longo dos últimos meses.”
Já Alberto Ramos, economista-chefe para a América Latina do Goldman Sachs, estima um crescimento de 0,4% no trimestre e revisou sua projeção anual de 2,2% para 2,0%. Ramos destaca fatores que pressionam a atividade: crescimento mais lento do emprego e de salários reais, inadimplência em alta e condições monetárias e financeiras mais restritivas do que se esperava.
Riscos e implicações
O enfraquecimento da dinâmica de crescimento tem implicações práticas para a política econômica e para agentes privados. Juros historicamente maiores têm efeito defasado sobre consumo e investimento; quando os impactos chegam, costumam reduzir o ritmo de atividade com algum atraso. Ao mesmo tempo, níveis elevados de endividamento das famílias e aumento da inadimplência limitam a capacidade de recuperação do consumo sem melhora do emprego e da renda real.
Entre as principais incertezas que podem alterar o resultado final estão a evolução do crédito, os preços agrícolas (que afetam diretamente a agropecuária) e choques externos que repercutam no câmbio e nas condições financeiras.
- PIB 1º tri: +1,1% (base de comparação)
- Expectativa para 2º tri: +0,4% a +0,5%
- Projeção anual (Focus mediana): 1,95%
- Projeção de mercado destacada: 2,0% (Asa e Goldman Sachs, após revisão)
Resumo numérico
| Período | Variação |
|---|---|
| 1º trimestre de 2026 | +1,1% |
| Estimativa 2º trimestre de 2026 (mercado) | +0,4% a +0,5% |
| Projeção anual (Focus, mediana) | 1,95% |
| Projeção anual citada (Asa/Goldman) | 2,0% |
O resultado oficial do IBGE confirmará se a tendência de arrefecimento se concretiza e qual será a magnitude do ajuste. Para além do número em si, mercados e formuladores de política vão analisar a composição do crescimento — quais setores sustentaram a expansão ou contribuíram para a desaceleração — e sinais sobre emprego, consumo e investimento, que dirão mais sobre a capacidade da economia de recuperar dinamismo sem pressões inflacionárias adicionais.
Em resumo: mesmo com expectativa de expansão do PIB no segundo trimestre, a leitura predominante é de que o crescimento perdeu força e que o desempenho do ano pode ficar em torno de 2,0%, sujeito a revisões conforme os próximos dados econômicos e a resposta da política monetária.