O grupo Pacto pela Educação reuniu-se na terça-feira (11) no Tribunal de Contas do Estado de Sergipe (TCE/SE) para analisar os resultados do Índice de Desempenho Escolar de Sergipe (IDESE) 2025 e debater o planejamento das próximas ações estaduais e municipais. O encontro trouxe levantamento técnico e propostas para combinar medidas de curto prazo com ações estruturantes de longo prazo.
Análise dos resultados e desafios
A apresentação dos dados foi feita pelo professor e doutor em Letras Lucas Silva, que detalhou avanços e limitações observados no desempenho educacional do estado. Segundo a exposição, houve avanços marcantes na alfabetização e nos anos iniciais do ensino fundamental, enquanto os anos finais do ensino fundamental registraram apenas um avanço tímido. No ensino médio, o indicador apresentou queda.
“Nós tivemos grandes avanços em relação à alfabetização, em relação aos anos iniciais, mas, em relação aos anos finais, tivemos um avanço muito tímido. Em relação ao ensino médio, nós caímos nesse índice”,
afirmou Lucas Silva, ao trazer o panorama que sustenta o debate sobre intervenções pedagógicas e arranjos institucionais.
Propostas e articulação entre entes
O diagnóstico, segundo os debatedores, permite identificar territórios com melhores resultados e outros que enfrentam dificuldades mais agudas, criando um mapa para que o Pacto oriente ações mais direcionadas. A proposta apresentada visa utilizar essas informações para orientar intervenções, formações pedagógicas e fortalecer o regime de colaboração entre Estado e municípios, com foco em:
- intervenções pedagógicas focalizadas nas etapas com desempenho mais frágil;
- formação continuada de professores alinhada a necessidades locais;
- articulação entre municípios com distintos níveis de avanço para troca de práticas.
O procurador do Ministério Público de Contas e um dos coordenadores do Pacto pela Educação, João Augusto Bandeira de Mello, destacou que os resultados reforçam a urgência de uma atuação articulada entre os diferentes níveis de governo:
“O que a gente precisa, cada vez mais, e o Pacto vai trabalhar isso, é exatamente tentar estruturar todo esse caminho. Precisamos de ações específicas nos anos finais. Não esperar que esses alunos que estão melhores nos anos iniciais, quando chegarem nos anos finais, tenham melhores resultados. A intenção é combinar medidas de curto prazo com ações estruturantes de longo prazo”,
Ele ressaltou a necessidade de medidas que atuem simultaneamente sobre resultados imediatos e problemas estruturais que afetam a trajetória escolar dos estudantes.
Planos de Educação e diagnóstico territorial
Outro ponto da pauta foi a atualização sobre a elaboração dos Planos Estadual e Municipais de Educação. A professora e presidente do Fórum Estadual de Educação, Christiane Almeida, informou que Sergipe está em fase de diagnóstico, etapa fundamental para orientar as metas e estratégias dos planos.
O foco em diagnóstico e territorialização dos dados é uma resposta técnica à variação de desempenho entre redes e municípios. Ao mapear diferenças locais, os gestores públicos e os parceiros do Pacto esperam priorizar ações onde há maior necessidade e promover a cooperação entre territórios que avançaram e aqueles que ficaram para trás.
Implicações para prática docente e estudantes
As discussões do encontro sublinham pontos centrais para a prática escolar: a necessidade de formações continuadas alinhadas ao que identificam as avaliações e a aplicação de intervenções pedagógicas que não se limitem a ações pontuais. A ênfase em combinar soluções imediatas com políticas de longo prazo traduz um reconhecimento de que as desigualdades de aprendizagem exigem respostas multifacetadas, envolvendo gestão, currículo, formação de professores e políticas de apoio ao estudante.
Com base no diagnóstico e nas proposições debatidas, o Pacto pela Educação pretende direcionar esforços para reduzir a perda de aprendizagem ao longo da trajetória escolar e melhorar o desempenho no ensino médio, onde o IDESE apontou retrocesso. A articulação entre Estado e municípios surgirá como elemento-chave para operacionalizar essas estratégias.