O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) iniciou um mutirão nacional denominado Mutirão em Defesa da Natureza e da Democracia, que combina o plantio de árvores, a doação de mudas, formação político-agroecológica e ação eleitoral em assentamentos, acampamentos e territórios urbanos. A mobilização teve início no sábado (19) e segue até 3 de outubro, véspera do primeiro turno das eleições.
Objetivos e alcance da ação
Segundo a coordenação do Plano Plantar Árvores, Produzir Alimentos Saudáveis — iniciativa lançada pelo movimento em 2020 —, a campanha busca demonstrar à sociedade a importância de fortalecer a democracia e apoiar um projeto político que enfrente a crise ambiental e melhore a qualidade de vida da classe trabalhadora. O plano estabelece a meta de plantar 100 milhões de árvores até 2030 em espaços como escolas do campo, cooperativas, centros de formação técnica, praças, parques, avenidas, comunidades urbanas e rurais, além de assentamentos e acampamentos do MST.
Até o momento, a iniciativa já contabiliza 45 milhões de árvores plantadas e a criação de cerca de 300 viveiros vinculados à reforma agrária. Entre atividades recentes citadas pela coordenação, estiveram plantios no Corredor Ecológico Corinthiano, na Zona Leste de São Paulo, e ações em diferentes regiões do Rio de Janeiro com espécies nativas da Mata Atlântica.
Formação, prática e denúncia
A mobilização prevê tanto a ação prática de plantar e distribuir mudas quanto atividades formativas sobre agroecologia e política. A prática de colocar “a mão na terra” também tem caráter de denúncia: o MST posiciona a ação como contrária ao modelo de produção defendido pelo agronegócio, que aponta como responsável por impactos ambientais.
“Nós estamos mobilizando o conjunto da base do MST para realizar ações que demonstrem para a sociedade a importância de se manter a democracia, de se votar pelo projeto político que busca cuidar e avançar no enfrentamento à crise ambiental, para que a gente consiga manter a democracia e também avance na melhoria da qualidade de vida da classe trabalhadora.”
A fala acima é atribuída a Camilo Augusto, da Coordenação Nacional do Plano Plantar Árvores, Produzir Alimentos Saudáveis, e expõe a combinação explícita entre ação ambiental e disputa eleitoral presente no mutirão.
Resultados e exemplos recentes
As ações do plano já geraram resultados visíveis em áreas urbanas e rurais. Em junho, durante a Jornada da Natureza, no Dia Mundial do Meio Ambiente, foram plantadas 1.000 árvores no Corredor Ecológico Corinthiano, nos arredores do estádio do time paulista. No mesmo mês, outras 1.000 mudas de espécies nativas da Mata Atlântica começaram a ser plantadas em diferentes regiões do Rio de Janeiro, em parceria com organizações locais.
- Meta até 2030: 100 milhões de árvores
- Plantios já realizados: 45 milhões de árvores
- Viveiros criados: cerca de 300
| Item | Quantidade |
|---|---|
| Meta | 100 milhões de árvores até 2030 |
| Plantadas até agora | 45 milhões de árvores |
| Viveiros | ~300 |
Contexto eleitoral e ambiental
A mobilização ocorre num contexto de forte polarização política, em que o MST aponta uma disputa entre projetos de país antagônicos. O movimento relaciona a defesa da natureza à preservação da democracia e coloca sua ação como parte da disputa eleitoral, adotando uma estratégia que une práticas agroecológicas, educação ambiental e mobilização de base.
As ações do mutirão articulam produção de mudas e viveiros com processos de formação e com campanhas nas ruas e comunidades, com a intenção de influenciar tanto práticas locais de recuperação ambiental quanto decisões políticas em um ano de eleição.
Como registro factual, o plano lançado em 2020 segue implementando plantios em múltiplos territórios e mantendo a meta ambiciosa até 2030, enquanto o MST segue articulando a ação como contribuição para enfrentar a crise ambiental e, simultaneamente, para a disputa por um projeto político que priorize saúde ambiental e direitos da classe trabalhadora.