Faleceu na quinta-feira (17) o músico e compositor Francisco Trindade da Silva, mais conhecido como Chico do Curió. Tinha 72 anos e era referência local na prática das serestas e na manutenção de um repertório ligado à cultura popular de Tiradentes (MG).
Trajetória e ofício
Ao longo de várias décadas, Chico do Curió consolidou-se como seresteiro e multiartista no município, sendo lembrado sobretudo pelo domínio do violão e do cavaquinho. Participou de encontros musicais e de serestas que contribuíram para a transmissão de repertórios tradicionais e para a convivência cultural da cidade.
Documentos e relatos locais apontam que sua atuação não se limitava à execução — ele esteve presente em iniciativas comunitárias que mantiveram vivas práticas musicais que, em muitas cidades, vêm sofrendo com a diminuição de espaços públicos para apresentação.
Nota oficial e despedida
A Secretaria Municipal de Turismo de Tiradentes divulgou nota de pesar pelo falecimento, ressaltando a trajetória de Chico como músico e multiartista e prestando solidariedade aos familiares, amigos e demais pessoas que conviveram com ele.
Os sinais fúnebres foram organizados para esta sexta-feira (18), com velório e sepultamento previstos pelos serviços locais.
| Evento | Data e horário | Local |
|---|---|---|
| Velório | a partir das 7h (sexta-feira, 18) | Velório da Igreja de Nossa Senhora das Mercês, Tiradentes |
| Sepultamento | 16h (sexta-feira, 18) | Cemitério da Igreja Matriz, Tiradentes |
Significado para a cultura local
A figura do seresteiro ocupa lugar particular no repertório da cultura popular brasileira. Em cidades históricas como Tiradentes, onde o turismo e a preservação do patrimônio caminham lado a lado, músicos como Chico do Curió cumpriam papel duplo: entreter moradores e visitantes e agir como vetor de memória musical — transmitindo melodias, estilos de acompanhamento e práticas de encontro que raramente são formalizadas.
No cenário atual, marcado por mudanças nos circuitos culturais — com menos serestas nas ruas e mais programação formalizada em espaços fechados —, a ausência de protagonistas que conhecem e praticam a tradição dificulta a continuidade desses saberes. A perda de Chico do Curió, portanto, tem dimensão que vai além do luto familiar: representa, para a cidade, o desaparecimento de uma voz ativa na formação e manutenção de um patrimônio imaterial.
Como a comunidade costuma lembrar
- Presença em serestas e eventos comunitários que mobilizavam moradores e turistas.
- Repertório centrado em violão e cavaquinho, instrumentos presentes no cancioneiro regional.
- Participação em iniciativas locais de preservação cultural, segundo a Secretaria Municipal.
A morte de Chico do Curió será lembrada em Tiradentes por amigos, colegas músicos e por aqueles que frequentavam as serestas onde tocava. A Secretaria Municipal de Turismo mantém a nota de pesar e as homenagens previstas aos familiares refletem o reconhecimento oficial pelo papel cultural que ele desempenhou.
Em cidades onde o patrimônio imaterial se apoia fortemente em pessoas de referência, a perda ressalta a necessidade de políticas de memória e salvaguarda que articulem registro, transmissão e espaços para práticas tradicionais — iniciativas que preservem mais do que repertórios, preservem os agentes culturais que os mantêm vivos.