Entre 2016 e 2025, Mato Grosso contabilizou 200 acidentes aeronáuticos, dos quais 53 resultaram em óbitos, segundo dados do Painel Sipaer, ferramenta mantida pelo Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa). O painel consolida ocorrências da aviação civil e permite filtros por unidade federativa, segmento e tipo de evento.
Tipos de ocorrência e distribuição
O tipo de evento mais frequente no Estado foi a perda de controle em voo, apontada em 51 dos acidentes registrados. Na sequência aparecem problemas relacionados ao motor e operações em baixa altitude. Somadas as categorias de acidentes, incidentes e incidentes graves, Mato Grosso acumulou 467 ocorrências aeronáuticas na última década.
| Classificação | Registros (2016–2025) |
|---|---|
| Acidentes | 200 |
| Acidentes fatais | 53 |
| Incidentes | 191 |
| Incidentes graves | 76 |
| Total de ocorrências | 467 |
Principais tipos de acidente
- Perda de controle em voo: 51 registros (aprox. 25,5% dos acidentes)
- Falha ou mau funcionamento de motor: 44 registros
- Operação a baixa altitude: 35 registros
- Excursão de pista: 28 registros
O Cenipa utiliza classificações de tipos de ocorrência e fatores identificados ao longo das investigações. Uma mesma ocorrência pode envolver mais de um elemento, e as categorias indicam aspectos técnicos observados, sem necessariamente apontar causa definitiva ou atribuir culpa civil ou criminal.
Situação em 2026 e limitações dos dados
O levantamento aponta também que, no ano em curso, Mato Grosso já registrava até o momento 16 acidentes, com 3 deles fatais. As informações divulgadas são preliminares: tanto o Cenipa quanto a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) ressaltam que investigações podem se estender por anos e que números consolidados podem ser atualizados ao longo do processo.
Por isso, autoridades e operadores recebem dados em construção, o que exige cautela na interpretação estatística e na comparação ano a ano. Procedimentos investigativos técnicos visam produzir recomendações de segurança para evitar reincidência, não para estabelecer responsabilidades judiciais.
Implicações para o Estado
Os registros têm impacto direto sobre a segurança da aviação civil no Estado, setor que inclui aviação regular e também operações de aeronaves agrícolas e de táxi aéreo, fundamentais para logística em regiões de produção e para o atendimento a comunidades isoladas. O volume de ocorrências aponta para a necessidade de manutenção de programas de prevenção, treinamento de tripulações e revisão de procedimentos operacionais.
Produtores rurais, operadores que realizam pulverização aérea e empresas de transporte devem acompanhar as recomendações técnicas do Cenipa e da Anac, além de manter registros de manutenção rigorosos e seguir boas práticas de gestão de risco de voo.
Perspectiva técnica
Como correspondente no Mato Grosso, especializado em safras e conservação, observo que a segurança aérea é componente estratégico para a competitividade do setor agropecuário e para a proteção do patrimônio ambiental, sobretudo em áreas remotas do Pantanal e do Xingu onde o transporte aéreo auxilia no acesso. A redução de incidentes passa por investimento em infraestrutura aeroportuária, qualidade de manutenção e capacitação contínua dos profissionais de voo.
O Painel Sipaer e os relatórios do Cenipa permanecem como fontes públicas essenciais para acompanhar tendências e orientar políticas regionais voltadas à segurança da aviação.