O Governo do Estado do Rio de Janeiro restabeleceu a Secretaria de Estado de Ciência, Tecnologia e Inovação, medida publicada no Diário Oficial nesta quarta-feira (16/09). A decisão devolve à pasta autonomia que havia sido transferida no mês anterior, quando foi incorporada à Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Indústria, Comércio e Serviços.
O que muda na estrutura administrativa
Com a recriação, a secretaria reassume a responsabilidade pela coordenação e supervisão direta de instituições estaduais de ensino, pesquisa e fomento, citadas pelo governo como a Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), a Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf), além da Faetec e da Faperj. Segundo a publicação, a medida não representa aumento de despesas: a secretaria utilizará a estrutura orçamentária e os servidores já pertencentes ao Estado, sem a criação de novos cargos comissionados.
Na prática, o governo afirma que a iniciativa busca restabelecer a autonomia de gestão e a identidade institucional da pasta, separando-a novamente da área econômica à qual havia sido agregada em 6 de agosto.
Contexto e reação
A integração anunciada em agosto provocou reações contrárias de entidades científicas, parlamentares e reitores. A Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) foi mencionada entre os organismos que manifestaram rejeição à medida. Na ocasião, o analista Roberto Gomides foi nomeado como secretário da pasta unificada.
"a Secretaria de Estado de Ciência, Tecnologia e Inovação não havia sido extinta ou rebaixada ao status de subsecretaria."
Essa declaração, divulgada pelo governo no dia seguinte à integração, afirmava que orçamento, investimentos e serviços permaneceriam inalterados. Ainda assim, a modificação suscitou debate sobre o papel da política científica no planejamento estadual e sobre eventuais efeitos sobre a governança das universidades e agências de fomento.
Riscos e benefícios da mudança
A recomposição da secretaria atende, segundo o Executivo, à necessidade de fortalecer a sinergia entre ciência, tecnologia e desenvolvimento econômico, áreas que o governo considera fundamentais para a formação de mão de obra, estímulo ao empreendedorismo e atração de atividades produtivas que gerem emprego e renda.
Mesmo com esse argumento, especialistas e gestores acadêmicos costumam alertar para dois riscos recorrentes em alterações administrativas deste tipo:
- Instabilidade institucional: mudanças frequentes na estrutura podem dificultar o planejamento de médio e longo prazo em universidades e agências de fomento.
- Ambiguidade nas responsabilidades: integrações e desintegrações podem gerar dúvidas sobre competências, canais de financiamento e prestação de contas.
Por outro lado, a separação formal da pasta pode facilitar a definição de prioridades centradas em pesquisa, inovação e políticas públicas para ciência, preservando espaços técnicos e administrativos dedicados a esses temas — desde que haja clareza orçamentária e continuidade de projetos.
Tabela cronológica
| Data | Evento |
|---|---|
| 6 de agosto | Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação integrada à Secretaria de Desenvolvimento Econômico; Roberto Gomides nomeado secretário da pasta unificada. |
| 7 de agosto | Governo afirma que a secretaria não havia sido extinta e que orçamento e serviços permaneceriam iguais. |
| 16 de setembro | Recriação da Secretaria de Estado de Ciência, Tecnologia e Inovação publicada no Diário Oficial; autonomia restabelecida. |
A decisão formaliza um recuo do Executivo em relação à integração anunciada em agosto. Resta observar como será concretizada a transição operacional entre as estruturas administrativas e de que forma as universidades e órgãos de fomento estaduais terão garantias sobre recursos e programas em andamento.
Para além do arranjo institucional, o episódio ilustra um tema recorrente na gestão pública: a necessidade de conciliar eficiência administrativa com previsibilidade para instituições científicas e educacionais, cujo planejamento depende de horizonte temporal estável. A comunicação do governo enfatiza a manutenção de orçamento e servidores; a comunidade científica, contudo, já demonstrou preocupação com as mudanças abruptas na governança.
Seguirão no radar político e técnico os desdobramentos sobre nomeações, portarias de implementação e a forma como a secretaria reconstruirá sua agenda própria de inovação e fomento no estado.