Fortaleza apresentou nas últimas 24 horas um aumento significativo na velocidade dos ventos, com registros que chegaram a quase 200% acima da média para determinados horários, segundo dados da Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme).
Dados e comparação com a média
Entre as 12h da segunda-feira, 17, e as 14h desta terça-feira, 18, houve um crescimento expressivo na intensidade dos ventos na Capital. O maior pico ocorreu entre as 5h e 7h desta terça, quando a velocidade alcançou 16,6 km/h. Para esse mesmo período, a média normalmente registrada varia entre 5,3 km/h e 5,8 km/h, o que representa um desvio de 186,21% em relação ao valor habitual.
Outro momento que chamou atenção foi entre as 12h e 15h de segunda-feira, quando a velocidade atingiu 50,8 km/h. A máxima anterior para esse intervalo era de 26,6 km/h — um aumento relevante em relação aos registros anteriores.
| Período | Máxima registrada | Média habitual | Desvio |
|---|---|---|---|
| 05h–07h (ter) | 16,6 km/h | 5,3–5,8 km/h | 186,21% |
| 12h–15h (seg) | 50,8 km/h | Máx. anterior: 26,6 km/h | — |
O que explica o aumento
O meteorologista Leonardo Valente, da Funceme, relaciona a intensificação dos ventos a dois fatores regionais: o reposicionamento da Zona de Convergência Intertropical (ZCIT) para o Hemisfério Norte e a maior presença de massas de ar úmidas do Atlântico Sul sobre o Nordeste. Segundo ele, essas condições criam um gradiente de pressão mais forte entre o Atlântico Tropical e áreas equatoriais, favorecendo ventos mais intensos na região.
“Isso favorece um gradiente de pressão mais intenso entre o Atlântico Tropical e as regiões equatoriais, favorecendo esse tipo de situação. Ou seja, ventos mais intensos sobre a região Nordeste”.
Temporada de ventos e impacto local
A Funceme ressalta que, apesar dos registros estarem acima da média para alguns horários, o fenômeno não é considerado anormal. O Ceará já entrou na sua temporada de ventos, tipicamente entre agosto e dezembro, quando as velocidades costumam se intensificar. Para moradores de bairros costeiros e trabalhadores que dependem do mar e do tempo — pescadores, esportistas e operadores de turismo —, esse é um período de atenção redobrada.
- Fique atento a alertas e orientações da Defesa Civil e da Funceme.
- Empreendimentos e obras em áreas abertas devem revisar medidas de segurança para proteção de materiais e equipamentos.
- Práticas ligadas ao mar, como pesca e esportes aquáticos, exigem checagem prévia das condições de vento.
Para a população urbana, ventos mais fortes podem afetar infraestrutura leve, poda de árvores e circulação de pequenos objetos. No transporte, a intensidade do vento é um fator que exige cautela, especialmente em trechos expostos e passarelas.
Contexto climático e futuro próximo
O registro reforça a variabilidade climática típica do período e confirma a previsão de que ventos tendem a ganhar intensidade entre agosto e outubro, conforme a própria Funceme aponta. Para Fortaleza, a temporada é reconhecida e recorrente; o que muda são a amplitude e os picos observados ano a ano.
No estado, o aumento de ventos tem ainda uma leitura positiva no longo prazo: favorece fontes renováveis de energia já instaladas no Ceará, como a eólica, contribuindo para a matriz energética regional. Ao mesmo tempo, exige que municípios e comunidades do interior — onde o impacto pode chegar em forma de poeira, erosão ou dificuldades no campo — mantenham diálogo e ações de prevenção.
Moradores podem acompanhar boletins e previsões detalhadas no site e nas redes da Funceme e adotar medidas simples de segurança enquanto a temporada de ventos segue em curso.