O Fluminense chegou ao retorno pós-Copa do Mundo com um paradoxo que tem preocupado torcida e diretoria: mantém domínio de posse de bola nas duas frentes em que disputa, mas perdeu a efetividade nas finalizações. Em sequência de sete partidas sem vitória — seis empates e uma derrota — a equipe apresenta média de 4,43 finalizações no gol por jogo, número bem abaixo do que vinha produzindo previamente.
Posse vs. contundência
Os números mostram que o problema não é a circulação. O time de Luis Zubeldía lidera as estatísticas de posse tanto no Brasileirão (59%) quanto na CONMEBOL Libertadores (65,9%), além de ser o primeiro em finalizações ao gol no Campeonato Brasileiro, com média de 5,7 por partida. Ainda assim, na série sem vitórias a média de acertos ao alvo caiu para 4,43.
| Indicador | Valor |
|---|---|
| Posse (Brasileirão) | 59% |
| Posse (Libertadores) | 65,9% |
| Média de finalizações no gol (série pós-Copa) | 4,43 |
| Melhor marca na série | 11 |
| Pior marca na série | 2 |
Partidas e exemplos recentes
O empate por 0 a 0 com o Independiente Rivadavia, na ida das oitavas de final da Libertadores, ilustrou a dificuldade: no Maracanã, o Fluminense acertou o alvo apenas três vezes e não teve nenhuma grande chance clara registrada pela equipe. Em outra partida mencionada na série, o empate sem gols com o Bahia teve o melhor desempenho, com 11 finalizações no alvo, enquanto o clássico contra o Vasco foi o ponto mais baixo, com apenas 2 acertos ao gol.
Reações e consequências
O treinador tenta transmitir serenidade, mas reconhece a dificuldade de explicar a queda de rendimento em finalizações. Em entrevista, Zubeldía avaliou o momento como temporário e citou trabalho e consistência como caminhos para a reversão:
"Difícil de explicar. Nessas sete partidas sem ganhar, tivemos jogos com muitas ocasiões e outros em que falhamos em combinações que normalmente saíam. Quando dá certo, isso dá mais confiança. Estamos em um momento difícil, mas isso é futebol. Com trabalho e consistência, vamos mudar."
A fala busca atenuar a pressão recebida nos últimos jogos. Nas redes sociais e entre parte da torcida, cresce a insatisfação com os resultados e com a continuidade do treinador no cargo caso a sequência negativa persista.
O que precisa mudar
Do ponto de vista tático e estatístico, o diagnóstico aponta para duas frentes de trabalho prioritárias:
- Melhorar a finalização e a qualidade das chances criadas — não apenas a quantidade de circulação de bola;
- Aprimorar as combinações ofensivas nas zonas finais para transformar posse em perigo real, fator que tem faltado nas partidas recentes.
O Fluminense encara desafios imediatos nas duas competições. A capacidade de converter a superioridade de posse em finalizações efetivas será determinante para interromper a sequência sem vitórias e para a avaliação do trabalho de Zubeldía nas próximas semanas.
Enquanto a bola não encara as redes adversárias, a equação do Tricolor segue: controlar o jogo é condição, não garantia, de sucesso. A conta, por ora, não fecha.