A bebida Xeque Mate, nascida em Belo Horizonte em 2015, foi tema do primeiro dia do E‑Festival 2026 ao ilustrar como práticas e referências culturais dos bares podem se converter em um projeto empresarial escalável. O fundador, Gabriel Rochael — conhecido como Gael — contou a trajetória de transformação de um produto pensado para facilitar operações de bar em uma marca com estrutura industrial e presença crescente no mercado.
Da cena de eventos à fórmula industrial
Segundo Gael, a iniciativa nasceu observando o funcionamento dos eventos e a operação de bares: foi ali que identificou uma demanda por um drink que unisse praticidade, qualidade e margem operacional atrativa. A partir dessa percepção, desenvolveu uma bebida que combina mate, rum, guaraná e limão, concebida para simplificar o serviço e oferecer ao consumidor uma experiência distinta.
“A gente trabalha com os produtos concentrados aqui em Belo Horizonte e parte do envase também é feita na nossa planta, enquanto outra parte é terceirizada.”
O relato, apresentado durante a conversa com a Agência Sebrae de Notícias (ASN) no E‑Festival, detalha um percurso incremental de estruturação: produção inicial em casa, uso de uma cervejaria parceira, passagem por uma primeira pequena fábrica e, depois da pandemia, a operação em uma planta atual em expansão.
Etapas, desafios e efeitos da pandemia
A pandemia assumiu papel de momento decisivo para a empresa, segundo Gael. Ela funcionou como catalisador para reorganizar a produção e ampliar a capacidade industrial. A narrativa apresentada no painel do festival evidencia como crises podem empurrar microempreendimentos a repensar processos e buscar escalabilidade.
- 2015 — criação da Xeque Mate em Belo Horizonte;
- 2016 — início da produção caseira com apoio de uma fábrica de cerveja;
- 2018 — estabelecimento da primeira pequena fábrica;
- Pós‑pandemia — operação na planta atual, combinando envase próprio e terceirizado.
| Ano | Marco |
|---|---|
| 2015 | Criação da bebida |
| 2016 | Produção em casa / parceria com cervejaria |
| 2018 | Primeira pequena fábrica |
| Pós‑pandemia | Operação em planta atual e expansão |
No painel, Gael também detalhou aspectos práticos da produção e da logística: a empresa mantém parte dos processos concentrados em Belo Horizonte e combina envase próprio com terceirização, uma estratégia comum a empreendimentos em fase de crescimento que buscam controlar qualidade e custos.
Cultura, identificação e mercado
O caso da Xeque Mate, apresentado no E‑Festival, opera em uma interseção entre cultura local e modelo de negócio. A bebida pretende refletir gostos e hábitos ligados à cena de bares — tanto no formato quanto na proposta de consumo — e, ao mesmo tempo, responder a exigências de eficiência operacional. Esse duplo movimento mostra como produtos culturais podem ser reaproveitados como vantagem competitiva em nichos específicos.
Ao compartilhar sua trajetória, Gael ofereceu ao público do festival um exemplo de como criatividade, conhecimento do mercado e adaptação a contextos adversos se articulam para transformar um conceito ligado à cultura de bar em um empreendimento com ambição de escala.
O relato, registrado pela ASN e apresentado no E‑Festival em 18 de agosto de 2026, reforça a importância de eventos que aproximam empreendedores, investidores e agentes culturais para fomentar modelos sustentáveis de economia criativa.