Crítica na Assembleia sobre remoções e política habitacional
O deputado estadual Wilson Santos (PSD) usou a tribuna da Assembleia Legislativa de Mato Grosso na sessão desta quarta-feira (2) para manifestar preocupação com as demolições de residências na região do Vale do Sonho, próximo ao Residencial Ilza Terezinha Picoli, em Cuiabá, e para cobrar do prefeito Abílio Brunini (PL) o cumprimento da promessa de campanha de construir 10 mil moradias populares.
Durante a fala, o parlamentar leu trechos do plano de governo do então candidato, ressaltando que a proposta previa o programa Casa Nova, com uso de recursos federais e estaduais para ampliar o atendimento habitacional e garantir infraestrutura básica — água, esgoto, energia elétrica e pavimentação — às novas unidades.
"Na página 74, o plano de governo do candidato tratava da questão da moradia popular: 10 mil novas casas, novos lares para o povo cuiabano. O programa Casa Nova para atender às necessidades habitacionais de Cuiabá, com recursos federais e estaduais."
Wilson Santos destacou o contraste entre a proposta eleitoral e os episódios recentes de demolição, citando especificamente a ação ocorrida na quinta-feira anterior (27), no Conjunto Habitacional Jonas Pinheiro I, situado na área do Vale do Sonho. Ele afirmou que moradores o procuraram quando as derrubadas começaram, por sua trajetória de atuação em defesa da habitação popular.
Contexto local e memória de obras
O deputado recordou que, quando foi prefeito, participou da construção do Conjunto Jonas Pinheiro, com recursos de emendas parlamentares da ex-deputada federal Celcita Pinheiro e contrapartida do município de Cuiabá. Segundo ele, essa experiência o qualifica para cobrar soluções e garantir segurança jurídica e social aos residentes afetados pelas demolições.
- Local afetado: Conjunto Habitacional Jonas Pinheiro I (Vale do Sonho).
- Reivindicação: cumprimento da promessa de 10 mil moradias prevista no plano de governo municipal.
- Argumento central: contradição entre promessa de ampliação habitacional e ocorrência de demolições.
O parlamentar ainda mencionou ter participado da fundação de quase 30 bairros em diversas áreas da capital, evidenciando sua trajetória no campo da habitação popular e reforçando a crítica ao momento atual, no qual, segundo ele, a gestão municipal teria cumprido apenas uma parte do mandato sem entregar unidades habitacionais prometidas.
Consequências e desdobramentos
As demolições em áreas urbanas, especialmente em conjuntos habitacionais, costumam gerar um conjunto de efeitos imediatos e de médio prazo: deslocamento de famílias, necessidades de reassentamento ou compensação, questionamentos jurídicos sobre títulos e regularização fundiária, além de impactos sociais e econômicos para os moradores que perdem seus imóveis. A cobrança de Wilson Santos pressiona a administração municipal por respostas sobre políticas públicas de moradia e sobre medidas de mitigação aos afetados.
| Ano/Evento | Registro |
|---|---|
| 27 de agosto | Demolição no Conjunto Jonas Pinheiro I (relatada pelo deputado) |
| 2 de setembro | Pronunciamento de Wilson Santos na ALMT cobrando as 10 mil moradias |
Até o momento, não há informações públicas na fala do deputado sobre medidas concretas tomadas pela prefeitura para realocar famílias afetadas ou sobre cronograma atualizado para implantação do programa habitacional anunciado. A declaração reforça, entretanto, a tensão entre a execução de obras e ações de remoção em áreas onde existem demandas por regularização e políticas de moradia popular.
O episódio coloca em evidência temas sensíveis à população cuiabana: a necessidade de habitação adequada e de políticas públicas que combinem planejamento urbano, financiamento e respeito aos direitos dos moradores. O pronunciamento de Wilson Santos sinaliza pressão política para que a administração municipal esclareça a situação das demolições e detalhe o plano para cumprir, ou revisar, a meta de construção de novas unidades habitacionais.
Fonte: pronunciamento do deputado Wilson Santos na Assembleia Legislativa de Mato Grosso.